Elas - J. Roberto Whitaker Penteado
Elas
J. Roberto Whitaker Penteado
A revista Claudia publicou um precioso suplemento com a sua edição de março de 2000 sobre as mulheres que fizeram a história do Brasil.
O trabalho da revista baseou-se em dois outros estudos um já publicado (Priore/Bassanez, História das Mulheres do Brasil) e outro que sairá em junho desse ano (Rede de Desenvolvimento Humano, Dicionário Mulheres do Brasil).
Já esperava encontrar nomes como Anita Garibaldi, Maria Esther Bueno, Leila Diniz, Isabel do Vôlei, Fernanda Montenegro, Chiquinha Gonzaga, Martha Rocha, Yeda Vargas, ou mesmo Roseana Sarney, Elis Regina e Gisele Bundchen.
Mas algumas das mulheres que, segundo Claudia, fizeram a história do nosso país ao menos nesses últimos 500 anos eram-me inteiramente desconhecidas e, nem por isso, pouco importantes. Ao contrário.
A primeira delas foi previsivelmente uma portuguesa; a mulher de Martim Afonso de Souza e chamava-se (a revista não explica por que) Ana Pimentel. Consta que veio para cá em 1534 quando o marido se ocupava nas Índias e que aqui ficou administrando as terras de S. Vicente durante dez anos, tendo sido responsável pela introdução dos plantios de arroz, cana, laranja e trigo. Também trouxe para o Brasil os primeiros bois e vacas. Outra governadora do tempo das capitanias foi Brites Mendes de Albuquerque, a dona Beatriz, que administrou com competência as terras de Pernambuco, depois da morte de seu marido Duarte Coelho.
Impressionam as figuras das primeiras políticas. A potiguar Alzira Soriano foi a primeira prefeita do Brasil, em 1929, quando as brasileiras sequer podiam votar mas o governador do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine, concedeu esse direito às mulheres do seu Estado. Emiliana Vieira Emery conquistou, na justiça do Espírito Santo, o direito de votar, também em 1929, e foi uma das primeiras eleitoras brasileiras. (Oficialmente, a primeira eleitora brasileira foi Celina Guimarães Viana, no RN, em 1927). E Carlota Pereira de Queirós foi a primeira deputada federal eleita no Brasil (por S. Paulo).
Curiosamente, o Brasil foi um dos primeiros países do mundo a ter uma chefe de Estado mulher: a princesa Isabel, durante as ausências do Imperador, por motivo de viagem. Infelizmente, ela continua sendo, também, a única.
Três nomes a guardar com carinho são os de Iara Iavelberg, Aurea Pereira Valadão e Aurora Maria Nascimento Furtado: elas se rebelaram contra a ditadura militar e foram friamente assassinadas. Tinham, respectivamente, 27, 24 e 26 anos.
Maria Quitéria e Anita Garibaldi são guerreiras conhecidas, mas houve uma terceira soldada: Maria Francisca da Conceição, que lutou ao lado do marido na Guerra do Paraguai.
Em 1875, quando as faculdades brasileiras não admitiam mulheres, Maria Augusto Generoso Estrella foi nossa primeira médica, tendo que se formar nos Estados Unidos, no New York Medical College for Women (segundo o MEC, metade dos alunos formados em Medicina, hoje, são mulheres).
Entre as rebeldes, temos de acrescentar, ao lado de Nair de Teffé e Zuzu Angel, os nomes das escravas Adelina, Bernarda e Justina (lutaram contra a escravidão), de Felipa de Souza (primeira a admitir um romance homossexual), Ana Joaquina Jansen Pereira (mãe solteira e milionária), Alcina Leite Pindahyba (primeira funcionária pública), Emilia Pinto Magalhães Branco (primeira divorciada) e Luisa dAlmeida (primeiro registro de assédio sexual).
E ainda temos, em 1906, a primeira advogada, Mirtes de Campos (hoje, metade dos diplomados são mulheres); a filha de Diogo Alvares Correa, Madalena Caramuru, primeira mulher brasileira a saber ler e escrever; Yolanda Pereira, nossa primeira Miss Universo, de 1930 (está com 90 anos e vive no Rio); Dalma Callado, a primeira top-model (anos 80) e Luisa Margarida Borges de Barros, baiana fina, que se tornou condessa francesa (de Barral) e lançou moda quando o Rio era um vilarejo.
A essas brasileiras maravilhosas, todas, (e às outras também), minha homenagem, um beijo e um abraço.
J. ROBERTO WHITAKER PENTEADO, diretor da Escola Superior de Marketing do Rio de Janeiro





