Eficiência na gestão pública
O objetivo do estudo é mensurar a capacidade dos governos estaduais de transformar recursos públicos em resultados para a sociedade
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de setembro de 2026
O objetivo do estudo é mensurar a capacidade dos governos estaduais de transformar recursos públicos em resultados para a sociedade
Folha de Londrina 
Uma pesquisa realizada pela Folha de S.Paulo em parceria com o Datafolha mostrou que dinheiro é uma condição importante para que o poder público ofereça serviços de qualidade, mas, por si só, ele não significa garantia de bons resultados. A segunda edição do REE-F (Ranking de Eficiência dos Estados - Folha), coloca o Paraná na liderança nacional da eficiência e leva a uma reflexão necessária: tão importante quanto arrecadar e receber recursos é saber transformá-los em benefícios concretos para a população.
O objetivo do estudo é mensurar a capacidade dos governos estaduais de transformar recursos públicos em resultados para a sociedade. A metodologia utilizada cruza indicadores públicos e verificáveis de cinco áreas fundamentais — educação, saúde, infraestrutura, segurança pública e finanças — com a RCL (receita corrente líquida) per capita de cada estado. Em síntese, segundo os pesquisadores, a proposta é revelar quem entrega mais serviços à população com menos dinheiro.
O estudo classificou as 26 unidades da Federação (Distrito Federal não fez parte devido às suas especificidades orçamentárias) em quatro faixas de desempenho: eficiente, alguma eficiência, pouca eficiência e ineficiente. Sete estados alcançaram a classificação máxima, com índice igual ou superior a 0,550, numa escala de 0 a 1.
O Paraná atingiu índice de 0,734, seguido pelo Ceará (0,665) e por São Paulo (0,637). O grupo dos eficientes inclui ainda Santa Catarina (0,612), Piauí (0,596), Paraíba (0,561) e Minas Gerais (0,552).
É preciso frisar que recursos financeiros não são irrelevantes e a comparação entre realidades tão distintas exige cautela e não elimina a importância de investimentos adequados e suficientes. O próprio ranking, ao excluir o Distrito Federal em razão de suas particularidades orçamentárias, reconhece que as condições de cada ente federativo precisam ser consideradas.
Educação e saúde, que têm peso dobrado na metodologia em razão das vinculações constitucionais, reforçam essa responsabilidade. São áreas que afetam diretamente a vida cotidiana e nas quais a eficiência pode ser percebida em indicadores concretos: qualidade do ensino, atendimento de saúde, redução de filas, prevenção de doenças, infraestrutura adequada e acesso da população aos serviços.
Em um país marcado por desigualdades regionais e por demandas crescentes sobre os serviços públicos, a discussão sobre eficiência é indispensável. Recursos públicos são limitados e pertencem à sociedade. Transformá-los em resultados concretos deve ser uma das principais métricas para avaliar a qualidade da gestão pública.
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