EFICIÊNCIA ENERGÉTICA - Lâmpadas incandescentes serão banidas até 2016
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Paula Costa Bonini<BR>Reportagem Local 
A invenção de Thomas Edison (1847-1931) está com os dias contados no Brasil. Assim como em outros países, as lâmpadas incandescentes estão sendo substituídas gradativamente pelas fluorescentes, que têm custo mais elevado, mas gastam até 80% menos de energia. Além disso, têm vida útil dez vezes maior.
Na Europa, a proibição de lâmpadas incandescentes passou a vigorar em setembro do ano passado. Com isso, de acordo com a União Europeia, até 2020 cerca de 15 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) deixarão de ser liberados na atmosfera. Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos, Argentina e Venezuela já possuem projetos semelhantes para proibir a produção. No Brasil, o banimento das incandescentes vai acontecer aos poucos.
O governo federal, por meio do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e da Eletrobrás, está elaborando o Programa Brasileiro de Etiquetagem, que prevê a retirada do mercado dos produtos menos eficientes. As lâmpadas incandescentes serão proibidas no País até 2016.
''É importante haver campanhas educativas para demonstrar claramente os benefícios das fluorescentes para os consumidores e para o País'', afirma o engenheiro elétrico José Gil Oliveira, chefe da seção técnica de Fotometria do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (IEE/USP). Ele ressalta que o Brasil pode se tornar um produtor de lâmpadas fluorescentes, mas que para isso são necessários incentivos fiscais.
Nesta entrevista, Gil também defende a produção de lâmpadas LED para que o Brasil possa competir internacionalmente sem depender de importações. ''Falta uma articulação técnico-política para que um projeto desse porte seja viável'', ressalta.
As lâmpadas incandescentes gradativamente vêm sendo substituídas pelas fluorescentes, mas quase metade da população insiste em usar a lâmpada que consome mais energia pelo fato de ser mais barata. Como mudar esse cenário?
Inicialmente através de campanhas educativas bancadas pelo governo brasileiro abrangendo a mídia e principalmente as escolas de todo o Brasil. Essas campanhas devem ter a preocupação de esclarecer os consumidores sobre a necessidade de se economizar energia elétrica e demonstrar claramente e com linguagem simples os benefícios para os consumidores e para o País.
O Brasil não pode se tornar um produtor de lâmpadas fluorescentes? Hoje a grande maioria é importada da China.
Considero essa hipótese viável economicamente desde que existam incentivos fiscais para as empresas brasileiras produzirem no País. Em contrapartida deve-se estabelecer uma quantidade de empregos a serem gerados em toda a cadeia produtiva das lâmpadas. Deve-se considerar também um programa ambiental que evite o descarte dessas lâmpadas em local inadequado, poluindo o meio ambiente.
A tendência é que a lâmpada incandescente seja totalmente banida?
Sim, pois já existem programas de banimento em diversos países, como Austrália e Estados Unidos. O Brasil também tem um programa para banir essas lâmpadas a partir de 2012 e se estendendo até 2016, quando finalmente será proibida a fabricação e comercialização desses produtos.
O que o governo deve fazer para colaborar nesse sentido?
O governo está fazendo sua parte através do Inmetro e da Eletrobrás, elaborando programas brasileiros de etiquetagem em diversos produtos, que preveem que os produtos menos eficientes sejam retirados do mercado.
O senhor defende a produção nacional de lâmpadas LED. Para tanto, estima-se a necessidade de um investimento de US$ 20 bilhões em pesquisa e inovação. O investimento é viável? Falta dinheiro ou vontade política?
Falta uma articulação técnico-política para que um projeto desse porte seja viável. Temos recursos humanos suficientes para iniciarmos. Porém, é necessário que seja uma demanda do governo federal, pois envolve uma área estratégica. Para lograrmos sucesso é imprescindível a presença de universidades, de centros de pesquisa e a da indústria. O investimento, sem dúvida, terá retorno, pois o mercado estimado de LEDs para 2030 é de US$ 100 bilhões.
Qual o custo da lâmpada LED para o consumidor?
O preço atual de uma lâmpada com tecnologia de estado sólido (LED) é de aproximadamente R$ 120,00 para substituir uma lâmpada de 40W. Ainda é muito cara e pouco eficiente, mas já temos informações que existem lâmpadas com maior eficiência energética sendo vendidas nos Estados Unidos em mercados de iluminação locais por metade desse preço. Existem estudos realizados pela Agência de Energia do Governo dos Estados Unidos que preveem a queda do preço das LEDs brancas utilizados para iluminação em 50% em três anos e com o dobro da eficiência energética. Portanto dentro de pouco tempo as LEDs estarão iluminando as nossas residências.


