Efervescência de reivindicações e protestos
O Brasil atravessa um momento de efervescência reivindicante, com vários movimentos reclamando baixa de impostos, melhoria salarial, aumento da cota do fundo de participação dos municípios, retirada de Medida Provisória impondo novas tributações, reposição de trabalhadores que foram despedidos, e outros tantos pleitos localizados. Ao mesmo tempo a sociedade protesta contra o aumento abusivo dos gastos públicos e a falta de decoro, especialmente no círculo parlamentar. Isto demonstra que a nação está descontente e que não deseja mais esconder esse sentimento. Destacadas lideranças da indústria e da agricultura levantam-se contra o MP 232, em tramitação na Câmara dos Deputados e que tange duramente os pequenos agricultores e as empresas prestadoras de serviço, e a esse protesto se juntam a Ordem dos Advogados do Brasil e as suas sub-seções; as prefeituras pedem à União o repasse de 1% a mais em suas cotas e foram bater à porta do gabinete presidencial; neste momento, prefeitos de mil municípios estão em Curitiba para formular ao Governo Federal o pedido de baixa da carga tributária sobre as empresas de transporte coletivo urbano, de forma a diminuir as tarifas para os usuários; a CUT e a Força Sindical protestam contra a recente demissão de 4.000 trabalhadores pelas indústrias de máquinas e implementos agrícolas; posições favoráveis e contrárias manifestam-se sobre a reforma sindical proposta pelo Ministério do Trabalho; e em Londrina 7.000 servidores públicos municipais estão em greve há dez dias, reivindicando melhor salário que se pode ser concedido ou não é uma questão a ser decidida. Essas manifestações de brasilidade, que vão irrompendo em todo o País, demonstram o redespertar de anseios latentes mas que estavam adormecidos, e revelam que o povo, diretamente ou por intermédio de suas representações, está cansado de abusos e deseja um basta. Em Londrina, por exemplo, a sociedade organizada conseguiu demover os vereadores da proposta de aumentar mais gastos com assessorias, e este foi um triunfo da reação. Se nem tudo pode ser contido neste país de tanto desmando na esfera pública e de tanta ganância por gastar e arrecadar, este é o caminho, e a sociedade precisa manter-se em guarda e não ter medo de levantar-se em brados e em ações de reivindicação e de protesto. Em pré-véspera eleitoral porque no ano que vem já haverá eleição para a Presidência da República, para os governos estaduais, para as duas Casas do Congresso e para as Assembléias Legislativas os políticos ficam mais ''sensíveis'' e tendem a recuar em seus ímpetos, então é a oportunidade de intensificar as pressões e cobranças sobre eles. Essa reação precisa ser contínua, porque apesar da descrença dos cidadãos sobre a força que têm produz resultados. Foi a nação, pela somatização de seu protesto, que motivou o Congresso Nacional a afastar do cargo um presidente da República; foi a sociedade organizada que levou à cassação de um prefeito corrupto, em Londrina. Quando a pressão popular chega ao ponto de combustão os Poderes são induzidos a agir, e então as coisas acontecem.





