O fraco desempenho da economia nacional, traduzido diariamente por meio de inúmeros indicadores, continua impactando negativamente na vida dos brasileiros. Nesta semana, dois balanços divulgados apontam os efeitos da crise: a geração de empregos em julho foi a pior para o mês dos últimos dez anos e o rendimento médio do trabalhador caiu pela quinta vez consecutiva.
Esses dois fatores estão atrelados: em um cenário de incerteza, o empresariado fica menos otimista e segura investimentos; além disso, o aumento da inflação acaba por corroer o poder de compra das famílias. A alta do dólar, que impacta diretamente empresas e famílias, ainda contribui. Em resumo, há pouca confiança na recuperação da economia, o que também acaba por desanimar os sindicatos patronais a conceder reajustes salariais acima do índice de inflação.
Por enquanto, o governo tem concentrado suas energias para evitar uma apreciação ainda maior do dólar. A preocupação é com o consequente aumento da inflação, que está em 6,27% - índice próximo do teto da meta estipulada pelo governo federal, que é 6,5%. Por isso, ao menos nesse momento, está descartado o reajuste dos combustíveis pedido pela Petrobras. A gigante estatal tem acumulado sucessivos deficits, uma vez que tem que importar combustível por um preço maior do que o negociado no mercado interno.
No entanto, o que vem sendo questionado é o atual modelo econômico e a condução da política. Há anos incentivando o consumo, em detrimento de priorizar os investimentos, agora a conta chegou. Famílias endividadas, produção industrial em queda, vendas fracas para o varejo e balança comercial desfavorável. É inegável que o assunto ficará na pauta nacional, principalmente com a proximidade das eleições presidenciais. É importante que seja discutido um outro modelo, uma nova forma na condução da política econômica para o desenvolvimento sustentável.

mockup