O aumento do desmatamento da Amazônia, do consumo de energia e dos transportes, divulgado recentemente, acabou por refletir diretamente no incremento da produção de gases que realimentam o efeito estufa, o dióxido de carbono (CO2). Segundo o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases do Efeito Estufa, mantido pelo Observatório do Clima, o aumento de gases poluidores avançou 7,8% no ano passado. É o primeiro crescimento na poluição desde 2008 e reverte tendência de queda iniciada em 2005.
O indicador reflete diretamente a importância que o Brasil dispensa a assuntos tão importantes ao próprio futuro do planeta. O aquecimento global, embora tenha teorias diversas sobre a sua ocorrência, é uma realidade. Além disso, o índice é apresentado em um momento em que as duas maiores potências mundiais – Estados Unidos e China – assinaram tratado na Organização das Nações Unidas em que se comprometem a reduzir efetivamente a emissão de gases do efeito estufa.
A China deverá desacelerar o aumento de suas emissões até estabilizá-las e começar a diminuir em 2030. É a primeira vez que o país, hoje o maior poluidor do planeta, assume metas quantitativas. Já os Estados Unidos devem reduzir a poluição de 26% a 28% até 2025, na comparação com 2005. Desta forma, o Brasil está indo na contramão dos outros países até porque o aumento apurado de 7,8% é bem superior ao crescimento do Produto Interno Bruto no ano passado, que ficou em 2,5%. Por isso, é preocupante. Mostra uma total falta de políticas direcionadas à proteção do meio ambiente e à sustentabilidade.
É preciso estabelecer metas claras e implementar medidas que reduzam a emissão de gases poluidores à atmosfera. Não se trata de "barrar" o desenvolvimento do País e de adotar medidas que impeçam o desenvolvimento econômico. No entanto, propostas como incentivar a utilização do transporte coletivo, o uso racional da água e da energia elétrica são iniciativas que a população deve ter sempre em mente.

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