Efeito cascata e quebradeira
Enquanto as empreiteiras aguardam entendimento político para receber as dívidas do Estado, as empresas terceirizadas que prestam serviços para as construtoras entram na Justiça. Somente na JVR Advogados e Consultores Associados oito ações estão em andamento. O advogado Valter Rodrigues, especializado em causas de reparação de danos, disse que não atende ações de empreiteiras contra o poder público por causa da demora dos processos.
De acordo com Rodrigues, nos últimos 15 anos diversas construtoras foram obrigadas a fechar as portas por causa da falta de pagamento por parte de prefeituras, Estado e governo federal. Rodrigues usa como exemplo as obras de pavimentação de ruas que contrata serviços de terceiros para fornecimento de massa asfáltica. ''A inadimplência é em cascata. Elas não recebem e não pagam. Entramos na Justiça e ganhamos. Elas se obrigam a pagar e quebram.''
A Folha tentou contatar empresas que fizessem defesa judicial de empreiteiras para recebimento de valores referentes a obras públicas. Uma consultoria que existiria para defender o interesse das construtoras prejudicadas com o calote dos poderes públicos foi procurada por várias vezes, mas não retornou os contatos feitos por e-mail.
O presidente da Apeop, Gilberto Piva, diz que nunca ouviu falar de consultorias que estivessem atuando como intermediadoras entre construtoras e poder público.





