O fator humano é determinante no aumento ou diminuição do número de acidentes de trânsito. Motoristas, ciclistas e motociclistas que seguem as regras, obedecem os sinais e estão atentos com a manutenção de seus veículos são cidadãos que realmente contribuem para a segurança nas ruas e rodovias. Uma maior conscientização vale também para os pedestres que colocam suas vidas em jogo quando deixam de usar as passarelas para arriscar a sorte cruzando as rodovias. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), 30% dos atropelamentos com morte acontecem próximos às passarelas.
Basta permanecer alguns poucos minutos perto de trechos com passarela para observar que muita gente não utiliza o benefício, construído para evitar acidentes. Elas são erguidas justamente em trechos perigosos com grande concentração de pessoas. Entre os pedestres ‘’infratores’’, há pessoas de todas as idades, principalmente adultos, que deveriam dar exemplo. Eles alegam que ocorrem furtos nas passarelas e que a travessia acaba sendo mais demorada.
Há exemplos de que as passarelas fazem diferença quando bem utilizadas. Recentemente, a concessionária que administra o trecho da BR-116 no Estado de São Paulo divulgou que a instalação de 42 passarelas ajudou a reduzir 41% o número de mortes por atropelamentos. Os dados são referentes a um período de dois anos.
Quando se fala em educação para o trânsito, é comum lembrar só dos motoristas, mas é preciso educar também o pedestre sobre o uso das passarelas e das faixas de segurança. E não é tarefa fácil. O desafio é conscientizar um público bastante heterogêneo, formado por pessoas de diferentes idades, grau de instrução e condição econômica. A realização de campanhas em escolas, universidades e indústrias é fundamental.
A melhoria das condições econômicas da população brasileira ajudou a colocar mais carros e motocicletas nas ruas do País. É preciso que as autoridades fiquem atentas ao impacto que o crescimento da frota pode provocar nos índices de acidentes. O Brasil aderiu ao Plano de Ação da Década de Segurança no Trânsito 2011-2020, criado pela Organização das Nações Unidas. Os países membros têm a missão de elaborar um plano de ação para diminuir 50% dos acidentes até o ano de 2020. Quando o projeto foi lançado no País, em 2011, o número de mortes no trânsito brasileiro era de 42 mil por ano.

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