Educar motorista e poder público
Muito bom que um grupo gaúcho de teatro percorra o Brasil, visando educar o motorista pela mensagem da encenação. Mas será necessário também educar o poder público, porque este costuma passar a culpa nos condutores de veículos pelos acidentes que acontecem, quando grande parte deles se deve a negligências oficiais na administração do sistema viário, nas cidades e nas rodovias. O grupo foi criado há oito anos por iniciativa da mãe de um jovem que morreu atropelado numa rua de Porto Alegre. Ela não deseja que o filho seja lembrado pela tragédia mas por algo que pode evitar acidentes idênticos. O espetáculo acaba de ser apresentado em Londrina e gerou uma opinião do vice-prefeito Luis Fernando Pinto Dias. A de que ''qualquer tentativa de de educar o motorista é válida''. Sem dúvida que é, porque a imprudência é muito grande, destacadamente em Londrina, onde existem 200 mil veículos registrados (desde os de duas rodas até todos os demais), ou seja, 1 para cada 2,5 pessoas. Mas aquela autoridade não se lembrou de dizer que seria válida, também, a educação dos homens públicos, que em suas atribuições devem cuidar igualmente de dotar, da melhor forma possível, a estrutura do sistema viário. Porque, há vários anos, nada (ou muito pouco) se fez para melhorar as coisas, quando a cada semana o número de veículos aumenta e com eles os acidentes. Pela dimensão da cidade, pelo volume de veículos que possui e dos acidentes (estes em torno de 20 por dia), a questão do tráfego urbano deveria figurar entre as prioridades da administração pública. Tal não acontece, até porque não existem estudos técnicos a respeito e nem gente especializada se dedicando a esse trabalho. Já é tempo de convocar profissionais em engenharia do tráfego para que façam uma radiografia ampla acerca da estrutura instalada e da dinâmica do fluxo de veículos, de forma a facilitar a vida dos cidadãos e favorecer a economia de combustível. O campo é vastíssimo, compreendendo pelo menos cinquenta itens, que vão desde o velho semáforo do tempo das diligências até um grande e avançado projeto de transporte coletivo. Por ora não será preciso pensar em coisas suntuosas, mas pode-se começar pelas elementares que, no entanto, tardam. Se é preciso conscientizar o motorista imprudente e desleixado, há também que empurrar o poder público municipal para que pegue no tranco e se mova, porque o tráfego flui e as autoridades estão comendo poeira nessa questão viária.





