Educar e fiscalizar
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
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A retirada dos radares móveis das estradas federais pode ter representado uma economia no bolso dos motoristas infratores, mas os resultados foram péssimos quando se analisa o quesito segurança. Isso porque, após a suspensão do uso dos equipamentos, em agosto, cresceu o número de mortos e feridos em acidentes nas rodovias, segundo dados da PRF (Polícia Rodoviária Federal) compilados pela organização SOS Estradas.
De agosto a outubro, o total de óbitos aumentou 2% e o de machucados, 9,1%, ante o mesmo período do ano passado. Desde 2011, a mortalidade na malha federal vinha caindo.
A Justiça mandou o governo retomar, no dia 14 deste mês, a fiscalização com equipamentos móveis, mas nesta segunda-feira (16) esse prazo foi adiado para o dia 23.
À época da suspensão, o governo federal justificou a medida como uma forma de evitar o "desvirtuamento do caráter educativo" e "a utilização meramente arrecadatória dos aparelhos".
É diferente analisar o “caráter educativo” dos radares quando se está em algum país europeu como Reino Unido, Islândia, Suécia e Holanda. Mas no Brasil, a (falta de) educação dos motoristas significa que a punição e as multas pesadas falam mais alto que a conscientização. Percebendo que não haverá fiscalização, os motoristas acabam abusando e a tendência é que excedam o limite de velocidade.
De janeiro a março, os registros de violência no trânsito estavam em queda: de 7% nos óbitos e de 4,3% nos feridos, ante o mesmo período de 2018. De abril a julho, quando foi suspensa a instalação de equipamentos fixos de fiscalização, o total de mortes já havia aumentado 2,7%, na comparação com os mesmos meses de 2018.
Focar mais na educação do que na punição é sempre a melhor solução. Mas mesmo os países em que é grande a preocupação do povo com segurança viária, há leis rígidas para quem é pego burlando as regras de trânsito.
Tanto quanto o aumento do número de acidentes, preocupa a interrupção da sequência de quedas que vinha desde 2011. Não adianta tirar os radares se não acontecer um trabalho sério de conscientização e investimento em campanhas educativas. Mas tudo isso leva tempo e a conta da falta de fiscalização acaba sendo paga por inocentes.
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