Relatos de maus tratos que teriam sido praticados contra adolescentes internados em unidades do Centro de Socioeducação (Cense) de Londrina precisam ser apuradas com rigor pelos órgãos responsáveis. Reportagem publicada na edição de ontem, da Folha de Londrina, traz entrevista com parentes de meninos que cometeram delitos e cumprem medidas socioeducativas nesses locais. As denúncias foram recebidas por integrantes do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina e apresentadas para a Corregedoria do Ministério Público e para a Comissão Nacional dos Direitos Humanos da Câmara Federal.
As denúncias de uma mãe são bastante graves. Ela disse que o filho, de 15 anos, teria sido violentado pelo colega de cela com consentimento de um educador do Cense. O crime teria acontecido dentro do Cense 1, onde ficam os jovens apreendidos provisoriamente. Ao questionar os funcionários da unidade sobre o tratamento violento recebido pelo garoto, a mulher foi acusada de desacato e cumpriu três dias de trabalho comunitário. Integrantes do CDH também receberam outras reclamações de parentes de internos. Eles reclamam do corte de alimentos ou retirada de cobertores como forma de punição por algum erro cometido pelos meninos.
O CDH anunciou que fará vistoria nas duas unidades do Cense de Londrina para apurar as denúncias. É importante que essas visitas sejam feitas regularmente e de forma preventiva nas 19 unidades instaladas no Paraná.
O Cense é uma unidade equipada para receber adolescentes em conflito com a lei com o objetivo de promover a educação e a socialização. A intenção é oferecer algo que uma cadeia não poderia proporcionar, como um acompanhamento adequado de profissionais capacitados e empenhados na recuperação de jovens. Provavelmente, é por isso que esses profissionais são chamados de educadores. Porém, caso as denúncias se confirmarem, educador é o termo menos apropriado para quem incita a violência, ao invés de coibi-la.

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