Educação sexual nas escolas
A escola pode colaborar, informar e proteger; não deve ocupar o lugar da família
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de setembro de 2026
A escola pode colaborar, informar e proteger; não deve ocupar o lugar da família
Ruy Carneiro Giraldes Neto 
Em resposta ao artigo “Procuram-se vozes que tenham forças” (26/09), da psicóloga Mary Neide Damico Figueiró, respeito a preocupação com a formação de crianças e adolescentes. Ainda assim, como cristão e conservador, entendo que a responsabilidade primária pela educação moral e sexual dos meus filhos pertence à família, orientada por princípios bíblicos como dignidade, amor responsável, fidelidade, domínio próprio, verdade e cuidado com o próximo.
Isso não exclui o papel da escola na informação adequada à idade e na prevenção de violências, mas impede que ela substitua os pais na formação moral. A evidência disponível associa acompanhamento parental, diálogo, limites coerentes e vínculos familiares à menor incidência de comportamentos de risco, uso de substâncias e sofrimento emocional entre adolescentes. Estudos também apontam associações entre religiosidade vivida de forma saudável e menor envolvimento com drogas, menos sintomas depressivos e maior bem-estar.
Nada disso significa que toda família religiosa educa bem ou que famílias sem religião educam mal. Fé não substitui afeto, presença, escuta e responsabilidade — e jamais deve justificar medo ou autoritarismo.
A escola pode colaborar, informar e proteger; não deve ocupar o lugar da família. Afinal, terceirizar integralmente a formação moral dos filhos para estruturas públicas parece uma ideia bastante moderna — até que se descubra que crianças e adolescentes continuam precisando, antes de tudo, de pais presentes.
Agradeço à autora por abrir esse debate. É reconfortante perceber que ainda se discute quem deve educar nossos filhos; quase como se a família tivesse deixado de ser, por acaso, a primeira e mais importante escola da vida.
Ruy Carneiro Giraldes Neto, advogado.
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