Como conversar com os filhos sobre sexo? Existe uma fase ideal para abordar o assunto? Estas são dúvidas comuns e que tiram o sono dos pais. Em pleno século XXI, o tema ainda é tabu em diversas famílias. Os jovens, por sua vez, também não sabem a maneira certa de agir e acabam frustrados. Gravidez indesejada e problemas psicológicos são algumas das consequências do sexo irresponsável, que é praticado cada vez mais cedo por adolescentes e até crianças.

''Os jovens iniciam a vida sexual sem desenvolver todo o processo de maturidade'', afirma o especialista em orientação familiar Autimio Antunes, que é um dos precursores do programa ''Protege Seu Coração'' no Brasil - metodologia que atua em praticamente toda a América Latina e em alguns países da Europa.

Em entrevista à FOLHA, Antunes afirma que a abstinência sexual é fundamental na vida do jovem ''para não travar o processo de desenvolvimento''. Segundo ele, a pessoa precisa estar madura e consciente do que está fazendo.

Qual é a base de atuação do programa Protege seu Coração?
É um programa voltado para a educação da sexualidade. A metodologia é muito própria. A gente procura atingir pais e adolescentes. O prazer sexual é uma coisa muito boa, mas pode ser maior quando se entende a dimensão física, emocional, social, racional, transcedente. A gente sempre age em função dessas cinco dimensões.

Por que, em pleno século XXI, muitos pais ainda têm dificuldade de falar sobre sexo com os filhos?
Devido à falta de conhecimento sobre sexualidade. Além disso, os pais se assustam com as transformações de seus filhos na fase da adolescência. As mudanças bruscas repentinas e o despreparo dos pais fazem com que pais e filhos se distanciem e evitem falar sobre sexo. Isso é péssimo. Quando o filho tem aproximadamente 1O anos, os pais já devem começar a entrar no assunto, mas sem falar da relação sexual propriamente dita. É preciso falar algo possível de ser captado nessa faixa etária. É um trabalho progressivo, que depende do vínculo estabelecido entre pais e filhos. Isso não acontece de uma hora para outra.

Existe uma idade adequada para iniciar a vida sexual?
Não podemos falar em datas, mas existe um momento adequado. A pessoa precisa estar madura e consciente do que está fazendo. Uma relação sexual é muito forte. É uma entrega de intimidades. É importante refletir para quem eu vou entregar essa intimidade.

A maioria dos jovens não encara o sexo dessa forma.
Os jovens iniciam a vida sexual sem desenvolver todo o processo de maturidade. Quando a pessoa faz sexo apenas pelo físico e pelo prazer, ela entrega somente uma parte de si.

A abstinência sexual é necessária até o jovem desenvolver sua maturidade?
É fundamental para não travar o processo de desenvolvimento. Quando há relação no momento inadequado, os pais ficam enlouquecidos e têm dificuldade em ajudar os filhos a entrarem na idade adulta com mais maturidade.

Mas é difícil convencer um jovem de que ele não deve manter relações sexuais, ainda mais em uma época em que a exploração da sexualidade está tão presente na mídia.
A proposta não é impor nada. A decisão é do jovem. Mas ele precisa decidir de forma consciente. A sexualidade deve ser pautada em um caráter forte. Ele tem liberdade de manter relação sexual, mas precisa saber que existem consequências. O adolescente é muito inteligente e precisamos fazer com que ele reflita sobre o assunto.

O ideal é manter relação sexual somente depois do casamento como ocorria antigamente?
É uma pergunta muito interessante. O programa não aborda essa questão. A relação sexual é um dos impulsos sensoriais mais fortes do nosso corpo. Se a pessoa não mantém relação no momento adequado ela pode se frustrar e ter consequências emocionais muito fortes. Mas eu sou casado, tenho filho e sei que ter relação sexual é maravilhoso, um prazer sensacional. No entanto, vamos dar conhecimento aos jovens para que eles possam fazer sexo no momento adequado.

A educação sexual deveria estar mais presente na sala de aula?
O caminho das escolas é o principal até porque envolve a participação dos pais. Já existe educação sexual nas escolas, mas é uma forma muito reduzida. Falam para usar camisinha e se prevenir das doenças sexualmente transmissíveis. No entanto, se não formar o caráter do jovem, de que adianta falar para ele usar camisinha?(Leia mais no caderno Cidades)

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