Educação sem qualidade
O Brasil continua mau colocado no Ranking da Educação Mundial, segundo prévia divulgada ontem pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Entre 76 países avaliados, o Brasil ocupa a 60ª posição em levantamento que apurou o desempenho de alunos de 15 anos em testes de ciências e matemática. O rendimento dos estudantes brasileiros caiu com relação ao ranking anterior, feito em 2012.
O estudo joga luz sobre um problema sensível aos brasileiros. Além de permitir uma comparação com outros países, é possível avaliar conhecimentos dos jovens sobre temas importantes e que acompanharão essas pessoas no mercado de trabalho. Também pode-se focar na elaboração de projetos e propostas que efetivamente melhorem a qualidade da educação brasileira. Além de garantir a frequência de crianças e adolescentes na escola, por meio dos programas de distribuição de renda, é preciso que os alunos aprendam.
E, neste ponto, a questão é muito complexa. De forma geral, há uma desvalorização da educação. Há desinteresse de famílias e estudantes, nem sempre os professores estão preparados até porque a baixa remuneração não chega a atrair os melhores alunos para a carreira e o Estado tampouco oferece a estrutura mínima adequada. Há escolas que não contam sequer com bibliotecas. Um ambiente seguro e agradável também contribui para despertar o prazer pelos estudos.
Não basta apenas garantir orçamento para a educação por meio da Constituição e de leis complementares. É preciso que esse dinheiro chegue ao seu destino, sem desvios e sem propinas, e que seja corretamente aplicado conforme as necessidades. A capacitação do corpo docente e o desenvolvimento de novas metodologias de ensino é premente.
Na avaliação da OCDE, se todos os estudantes de 15 anos estiverem na escola e alcançarem nível básico, o Produto Interno Bruto pode crescer sete vezes. A partir dessa análise as prioridades ficam claras. Qual o País que queremos construir?





