Educação: quem responde por ela?
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quarta-feira, 14 de agosto de 2019
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Em Londrina, a secretaria municipal de Educação acaba de cumprir uma etapa que leva a um melhor conhecimento dos índices locais de educação por meio de um levantamento parcial do Mapeamento do Analfabetismo que aponta, em matéria publicada na terça-feira (13) na FOLHA, que 526 pessoas acima de 15 anos não finalizaram os anos iniciais do ensino fundamental (1º a 5º ano). Outras 2.512 pessoas, com mais de 15 anos, não concluíram os estudos do 6º ao 9º ano e 2.148 pessoas não concluíram o ensino médio.
Os resultados foram colhidos por meio de questionários distribuídos nas escolas municipais, mas também aí é decepcionante saber que dos 39.980 questionários distribuídos, apenas 6.185 foram respondidos. Isso significa que educação não se apresenta como prioridade para muitas famílias preocupadas com outros aspectos da sobrevivência em tempos de desemprego e deficit para necessidades também essenciais, como alimentação, transporte e saúde. O interesse numa área vital para o desenvolvimento é pequeno tendo em vista o número de questionários respondidos para um Mapeamento do Analfabetismo.
Segundo a coordenadora municipal do programa Educação para Jovens e Adultos – EJA - Dilceia Cardosos de Lima, como as respostas ao questionário eram voluntárias era de se esperar que haveria um número baixo de adesão. Mas com os dados em mãos e o uso do georreferenciamento, a ideia é “repassar as informações para as escolas mais próximas da residência das pessoas que responderam ao questionário.” Com isso, espera-se que as turmas já existentes recebam mais alunos a partir deste segundo semestre.
As pessoas que não finalizaram os anos iniciais do ensino fundamental podem participar da Fase 1 da EJA (Educação de Jovens e Adultos), ofertada gratuitamente em 32 escolas municipais. Além disso, há pessoas com mais de 15 anos que não concluíram os estudos do 6º ao 9º ano, se enquadrando na Fase 2 da EJA, e as que não terminaram o ensino médio, cuja demanda é de responsabilidade da secretaria de Estado da Educação.
Nota-se que no Paraná, Estado e município, a exemplo de outros Estados brasileiros, são corresponsáveis não só pela redução do analfabetismo entre jovens e adultos, mas pela melhoria de índices gerais do ensino, o que representa uma carga pesada.
É de se lamentar que o governo federal, ainda sob a gestão de Michel Temer, tenha suspendido em 2016 um programa que ensinava jovens e adultos a ler e escrever, ainda que isso fosse uma diretriz do Plano Nacional de Educação – PNE. Um projeto do MEC para os primeiros cem dias do governo Bolsonaro, divulgado em janeiro de 2019, também trata da “erradicação do analfabetismo”, sem muitas explicações de como isso será feito. O fato é que falta suporte do governo federal para a educação em todos os níveis.
Levantamentos de 2018 mostram que três em cada dez brasileiros com mais de 15 anos têm dificuldades para ler, escrever ou fazer contas, caracterizando-se dentro dos parâmetros do analfabetismo funcional. Esses índices contrariam expectativas de avanços porque faltam políticas contínuas de Estado, sobrando para Estados e municípios iniciativas temporárias que podem mudar a cada troca de prefeito ou governador. Um quadro de educação volátil é tudo o que o Brasil menos precisa. Com as leis de tetos de gastos e o desmonte de políticas públicas, o País sofre de um mal que continua espelhando um desenvolvimento precário numa área essencial.
A FOLHA agradece aos leitores a preferência e confiança.


