O êxito ou o fracasso de um país em desenvolvimento está condicionado a seus investimentos na educação. Nenhuma atividade humana é feita sem que se fundamente no sagrado princípio educacional. Obviamente, a educação é a única assertiva capaz de proporcionar passaporte para a qualidade de vida do Primeiro Mundo. Nesta concepção, o país que não investir maciçamente em educação estará fadado a permanecer apenas no embrião do mundo civilizado, na verdade, a educação está intrinsecamente ligada ao fenômeno vida. Não se justifica, portanto, que um governo inteligente menospreze a educação.
Paradoxalmente, não se tem registro em nossa história de que tenha havido alguma gestão governamental com a necessária amplitude de visão para o fato. Nunca houve grandes investimentos na cultura brasileira. Nunca se fez nenhum trabalho sério que pudesse alavancar a educação, a não ser através da implantação da Lei 5.692, na década de 70, cujas diretrizes, importadas, sem investimentos e sem as necessárias adaptações, não as deixaram prosperar.
Segundo um velho ditado popular, ‘‘o pior cego é aquele que não quer ver’’. A escassez de visão, nas três esferas do governo brasileiro, é mesmo uma herança de cegueira do faz-de-conta de quem não quer ver. O atual governo é vítima do sistema implantado no governo anterior e, como se fosse uma espécie de doença hereditária, transmite-se o pesado fardo ao governo seguinte. Assim, sucessivamente, perpetua-se o mal na educação.
Ao comemorarmos os 500 anos da vida brasileira, o fizemos com décadas de atraso na educação. Não acompanhamos o desenvolvimento tecnológico, não aprendemos ainda a boa postura do comportamento humano e do respeito as individualidades. Aqui no Brasil ainda batemos nos índios, verdadeiros donos da terra, e os massacramos em seus próprios redutos. Tratamos os professores, sustentáculos da civilização, com bombas e patas de cavalos. Estes heróis da pátria levarão para sempre as cicatrizes em suas consciências, simbolizando o eterno pagamento pelo ‘‘crime’’ de ensinar uma nação. Aqui assassinamos os sem-terra, braço forte do campo que sustenta este País. Estes fatos que envergonham o Brasil num mundo civilizado, têm acontecido nos Estados mais adiantados da federação. Tais fatalidades confirmam a lei de causas e efeitos.
Aqui não há respeito sequer às leis orçamentárias, forjam na rubrica da educação as despesas dos aposentados e pensões. Assim, roubam a cultura brasileira, sucateiam a educação e menosprezam os profissionais do magistério. Não há nenhuma proposição para mudar este estado de indolência. Ninguém se interessa em buscar experiência nos países como Canadá, Japão, Suécia e outros que inteligentemente investiram na educação e hoje, estabilizados, não têm problemas preocupantes, nem com a saúde e nem com a segurança.
Não fazer investimentos na educação é ignorar o futuro; é amarrar as pernas da Nação; é travar o progresso do País; é em suma fazer sucumbir um povo antes mesmo da formação dele. Por causa dessa insensibilidade, hoje se multiplicam as despesas com a segurança. Mesmo assim a criminalidade, com crescimento avassalador, põe em risco a própria soberania, quando se desrespeitam as autoridades constituídas e se formam grupos de invasão, e a paz interna fica estremecida.
A falta de investimento na educação provoca transtorno na sociedade, além de duplicar despesas com saúde e com segurança. É óbvio que um povo educado tem menos tendência em adoecer e não são dados à criminalidade. Pensando nisso, o sábio Rei Salomão escreveu: ‘‘Instrui o menino no caminho em que deve andar e, quando crescer, não se desviará dele.’’
Hoje quando se reivindicam melhoras para a educação, os governantes atuais fazem o mesmo que fizeram seus antecessores: empunham logo a bandeira da mediocridade e, surpreendentemente, sem atender a nenhum pedido, fazem guerras de falsa publicidade tentando confundir a opinião pública. Isto produz um clima de insatisfação não só entre os profissionais do magistério mas entre toda a população, que já conhece a inconsistência do governo. Fatos semelhantes já ocorreram no passado e determinaram a sentença de políticos insensíveis às causas da educação, proporcionando a eles merecidas derrotas.
- NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA é professor aposentado em Londrina

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