O discurso a favor da educação é pauta de todas as eleições, como opção de pessoas inteligentes comprometidas com a justiça social e o progresso do País. Na prática, o que se vê é que tudo não passa de conversa fiada, retórica vazia de gente que só quer se eleger, mas é incapaz de projetar um país além do seu mandato, o que demonstra a pobreza de mentalidade que povoa boa parte dos políticos.
O Brasil nunca deu importância à educação e muito menos valorizou seus professores, sempre os viu como incômodos quando não supérfluos.
Se alguém quer ser respeitado por aqui, tem que ostentar e participar das redes de poder, que tudo transforma em balcão de negócios.
A educação no Brasil continua a ser vista como custo e, por isso, é postergada indefinidamente, pois os frutos do conhecimento geralmente não são colhidos por quem os planta.
Predomina a cultura do imediatismo e do individualismo: a primeira transforma as pessoas em cigarras incapazes de perceber o amanhã e de projetar o futuro, pois este impõe sacrifícios que não querem ser assumidos. Já a segunda, o individualismo, pensa a educação de forma seletiva, para poucos, reduzindo-a a uma elite que pode pagar, eternizando o status quo e facilitando a dominação.
Se a marca do Brasil é a desigualdade econômica e social, seu alicerce está plantado na desigualdade educacional.
Temos muito a aprender com o sucesso dos países asiáticos que - de nações pobres e sem perspectiva - a partir dos anos de 1970, deram saltos de desenvolvimento impressionantes.
O segredo do sucesso asiático foi a seriedade com que passaram a tratar a educação pública, começando pela valorização dos professores, que independentemente do governo, nunca se recuou desse compromisso.
Ao renegar a educação, deixando-a em segundo plano, está-se a cometer um verdadeiro crime intergeracional, em que a atual geração condena as que estão por vir, sem que estas possam sequer se defender.
Ao não assegurar educação pública de qualidade, valorizando os professores e garantindo a infraestrutura adequada, impedimos o desenvolvimento das competências e potencialidades de nossas crianças e jovens, roubando-lhes o futuro, eliminando a única possibilidade que a maioria deles têm de ascender socialmente.
O Paraná é tristemente exemplo da miopia em relação ao futuro. Querem pagar as iniquidades administrativas com o sacrifício de nossos jovens, roubando-lhes o amanhã, tratando professor como baderneiro e delinquente, eliminando direitos, dentro de uma realidade já tão precária e desprestigiada, que expulsa talentos desmotivados por tamanho desprezo.
Enquanto a educação continuar a ser vista como custo e professor como supérfluo, continuaremos condenados a ser uma nação subdesenvolvida, conhecida apenas pelo país do carnaval e do futebol.

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