Educação na globalização
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quinta-feira, 23 de agosto de 2001
Alvori Ahlert 
Globalização ainda é a ''palavra da onda''. Uma das mais lidas, ouvidas, pronunciadas nessa transição do milênio. Uns contra e outros a favor. Na realidade, trata-se de um processo ambíguo. Pelo lado econômico, seu resultado é nefasto; conduzido por um modelo econômico altamente excludente, fundado num liberalismo fundamentalista (neoliberalismo), promove o desmonte dos Estados nacionais, absolutiza o mercado transformando-o em meio e fim do pensamento humano, intensificando, assim, a competição voraz entre as empresas, a maximização do lucro, fazendo explodir o desemprego em todo o mundo. Para produzir mais barato, as empresas se automatizam, no esteio do desenvolvimento tecnológico, gerando desemprego estrutural sem precedentes. Um exemplo claro, neste momento histórico, é a realidade vivida pelo povo argentino.
Por outro lado, a globalização é a ampliação do espaço, dos lugares. É a possibilidade fantástica de troca de informações, conhecimentos, experiências de vida, de produção, de interações étnicas e culturais numa velocidade extraordinária em alguns casos, instantaneamente. Isto possibilita verdadeiras redes de participação de cidadania diante das grandes questões deste início de um novo século e milênio (desemprego, violência, pobreza, violação dos direitos humanos, exclusão, destruição do meio ambiente etc.).
Se o século 20 foi o século do desenvolvimento tecnológico, o século 21 terá que ser necessariamente o século do desenvolvimento humano. E isso faz brotar em todos nós uma grande sede de um saber ligado à prática de um discurso e de um fazer de grande esperança. Existem grandes demandas éticas e espirituais e a educação precisa tratar destas questões. Ela precisa dar às novas gerações muito mais do que a nossa recebeu, pois as exigências e os desafios com que elas irão se defrontar neste novo século são muito maiores do que aqueles com os quais nós, adultos, nos defrontamos. Precisamos ajudar os jovens no enfrentamento de mais problemas concretos, reais, e menos problemas fictícios.
A Unesco recomenda quatro competências básicas a serem desenvolvidas pela educação no século 21: 1) Aprender a ser. Significa ajudar o jovem a desenvolver sua identidade, sua auto-estima, sua autoconfiança e sua autodeterminação; 2) Aprender a conviver. Significa a construção de relações e inter-relações pessoais, de cidadania, de urbanidade, de solidariedade; 3) Aprender a fazer. Significa a aquisição de habilidades básicas e específicas de gestão e empregabilidade; 4) Aprender a aprender. Significa aprender a participar, a organizar, a refletir criticamente sua realidade e ir em busca do conhecimento.
Entretanto, esta não pode ser uma tarefa apenas da escola. A educação somente dará conta desses desafios se for desenvolvida num processo de construção coletiva entre escola, Estado, família e comunidade. Uma espécie de ''constituinte escolar permanente'' visando uma profunda construção cidadã.
Esta confluência de esforços deve orientar para uma convivência comunitária e social, com o objetivo de vencer o isolamento antropocêntrico e egoísta da modernidade, para uma construção coletiva de valores, de uma ética universal de postura radical em favor da vida de todos os seres humanos e seu meio ambiente.
A educação, parceira e interdisciplinar, deve ajudar na construção de habilidades de reflexão, capacidade de interação e interiorização, de argumentação e compreensão. Uma educação para a alteridade, em que o eu e o outro se desenvolvam num jeito alegre, tolerante, aberto, com habilidades de lidar com o diferente. Significa ajudar o jovem a reencontrar o sonho de um mundo emancipado, livre, feliz, solidário e justo para todos. Uma globalização inclusiva, que quantifique a qualidade de vida que se encontra sequestrada por uma minoria do planeta.
- ALVORI AHLERT é professor universitário em Marechal Cândido Rondon


