Atualmente existe um grande debate e muitas opiniões sobre o corte no financiamento de bolsas de estudos e pesquisas no País. De certa forma, quero contribuir com esse debate. É fato que no Brasil existem pesquisas altamente relevantes e fundamentais para o desenvolvimento e bem estar da humanidade, que merecem ser financiadas pelo poder público. Entretanto, também existem pesquisas financiadas que são insignificantes, bolsas em nome de “laranjas” que não realizam pesquisa. Existe, ainda, pesquisador que nunca se envolveu com metodologia de pesquisa durante toda sua trajetória acadêmica.

Dito isso, precisamos incluir a educação escolar no debate. Se há falhas na educação, uma das maiores recai na metodologia de ensino e aprendizagem utilizada desde a Educação Infantil até à Universidade, especialmente nas licenciaturas. As escolas, fundamentadas no ensino tradicional de cunho discursivo para transmissão de informações e conhecimentos, tendo como maior suporte o livro didático e as apostilas cumpridas de forma linear, não se atentam para a necessidade urgentíssima de ressignificar os papeis do professor, do aluno, do conteúdo, da avaliação e da metodologia.

Se almejamos pesquisa de qualidade e desenvolvimento do País, é necessário investir numa reflexão criteriosa sobre a formação docente e, se quisermos resultados a curto prazo, investir em formação continuada ou em serviço dos professores que estão na ativa e vivem o dia a dia da gestão escolar e da sala de aula.

Depois de 34 anos atuando como professor efetivo no Estado do Paraná e exercendo por 18 anos o cargo de diretor de escola pública, iniciei um trabalho de pesquisa-ação com professores de Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental, mediando uma reflexão que transita entre a formação continuada e a prática pedagógica desses professores. Com pouco mais de seis anos de trabalho temos colhido resultados significativos: brilho nos olhos de professores, alunos protagonistas e ensino e aprendizagem de alta qualidade. Podemos dizer com certeza que esses professores não terão nenhum problema em colocar em prática a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o ensino por competências.

Essa é uma forma de cumprir com a Constituição Federal, especialmente o artigo 205, que estabelece um projeto educacional voltado para a formação plena da pessoa, preparação para a cidadania e qualificação para o trabalho. Nisso está implícito o desenvolvimento de alunos pesquisadores, criativos e inovadores. Com isso é possível termos melhores pesquisas, que façam jus a financiamentos, e resultados que de fato tragam mais benefícios para a humanidade com menos gastos com bolsas de estudos e pesquisas.

Creio que assim haverá menos reclamação pelo “corte de financiamento de pesquisa”, pois enxergaremos a situação pela ótica da “otimização de gastos do dinheiro público”.

LUIZ GONZAGA DE MELO, mestre em Educação em Ibaiti-PR

mockup