Educação, jogando dinheiro fora?
Ainda está fresco na memória nacional os 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil na última Copa do Mundo de futebol de 2014, em pleno Brasil. Mas vamos retroceder no tempo e imaginarmos outros "embates internacionais da nação brasileira".
Imaginemos o seguinte cenário. Uma conferência mundial durante os anos 30 com grandes economistas discutindo sobre quais os países que iriam surgir como possíveis líderes econômicos após a "quebra de 1929 da bolsa dos Estados Unidos a Grande Depressão". Surgem os inevitáveis cotejamentos entre países e suas capacidades de reação, onde são analisados todos os vieses da economia.
Um dos cotejamentos seria entre Brasil e Japão. Após grandes discussões e quase por unanimidade, o Brasil é aclamado como um dos grandes possíveis líderes dentre os países com potencial de crescimento e liderança. Vinte anos depois, agora anos 50, após a Segunda Grande Guerra, novamente outra importante conferência mundial os maiores economistas travam discussões e cotejamento entre os países com capacidade de grande crescimento e liderança mundial nos pós-guerra. Um dos cotejamentos seria entre Brasil e Coreia do Sul. Após grandes discussões, novamente, com a quase unanimidade o Brasil seria apontado como grande vencedor.
Pois bem, aqueles que não estavam com a "quase unanimidade" teriam acertado tanto nos anos 30 como nos anos 50. E por quê? Simples, tanto o "atrasado" Japão dos anos 30 e praticamente destruído durante a Segunda Guerra Mundial, quanto a "praticamente destroçada" Coreia do Sul dos anos 50 investiram maciçamente em educação, enquanto o Brasil "entendeu ser perda de tempo e dinheiro" fazer tal investimento.
Agora, já no século 21, o Brasil está com sua economia destroçada pela incompetência, ganância, intolerância e atraso de seus principais atores políticos e econômicos, e está diante do dilema, como vamos sair desta situação?
Depois de muita discussão, onde só são seriamente considerados os interesses pessoais e "fisiologias ideológicas político-partidárias e econômicas" ainda não chegaram à conclusão, mas já tomaram uma grande e importantíssima decisão, vamos cortar as verbas da educação, por entenderem que investir em educação é "jogar muito dinheiro fora", de seus próprios bolsos, naturalmente.
Alguns brasileiros sentiram-se até envergonhados com a derrota futebolística frente a Alemanha há 3 anos, eu estou perplexo com as derrotas frente aos orientais e não no futebol, mas na responsabilidade pública, na lucidez em estabelecer prioridades consequentes para toda a comunidade e na capacidade de se reinventarem e de ressurgirem mais fortes diante de tantas adversidades. Dos orientais, estamos perdendo há quase um século de mil a zero.
Enquanto isso o Japão e a Coreia do Sul, hoje potências mundiais, continuam a investir maciçamente em educação, que teimosia não?
MARCOS DE CASTRO FALLEIROS é professor no departamento de Física na Universidade Estadual de Londrina
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