A falta de educação financeira é latente entre os brasileiros. Pesquisa divulgada ontem pelo Serviço de Proteção ao Crédito e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas aponta que oito em cada dez brasileiros não sabem controlar suas despesas. Do total de entrevistados, 81% disseram que têm pouco ou nenhum conhecimento sobre como fazer o controle das finanças pessoais. Quando perguntados sobre a exatidão de seus gastos, considerando receitas e despesas, apenas 18% dos consumidores disseram ter noção exata dos valores.
Depois de décadas de inflação descontrolada, quando era difícil mensurar receitas e despesas devido à constante variação dos preços, veio a estabilidade econômica, o que proporcionou um aumento de crédito no mercado. Dinheiro disponível, aliado à demanda reprimida por bens duráveis e não duráveis e às desonerações tributárias para alguns produtos, contribuíram para aquecer a economia interna. No entanto, também trouxeram um fenômeno novo: o endividamento das famílias.
Levantamento recente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo apurou que, em janeiro, 63,4% das famílias disseram ter dívidas, alta de 1,2 ponto percentual em relação aos 62,2% registrados em dezembro de 2013. Os débitos incluem cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro. O relatório aponta para um aumento constante do endividamento, embora o percentual de pessoas com dívidas em atraso tenha recuado de 20,8% em dezembro para 19,5% em janeiro.
Os números indicam atenção e despertam para a real necessidade de se investir em educação financeira. A população precisa aprender a fazer a sua administração pessoal de receitas e despesas. Se não for desenvolvido um trabalho nesse sentido que, inclusive deve começar com as crianças em idade escolar, o endividamento só tenderá a crescer, corroendo parte da renda das famílias.

mockup