Em períodos de crise econômica e de inflação em alta é natural que as famílias passem a se preocupar mais com o orçamento. Restrições nas compras e freio no consumo em geral são atitudes naturais. Importante lembrar que administrar bem as finanças faz a diferença para uma vida financeira estável e controlada. No entanto, é preciso afirmar que os brasileiros têm pouca – ou nenhuma – educação financeira e fazer adequações no orçamento familiar quando a necessidade é real é mais difícil.
Pesquisa Boa Vista SCPC divulgada recentemente aponta que cresceu o número de pais que se preocupam em passar lições para os filhos sobre como lidar com dinheiro. Agora 88% consideram essa atividade muito importante, índice superior aos 76% apurados no último levantamento. Antes das lições, deve-se lembrar que exemplos são fundamentais na educação. Atitudes e iniciativas dos pais podem dar mais resultado.
Nesse momento inicial, já que poucas famílias mantêm o hábito de conversar sobre dinheiro com seus filhos, a inclusão da educação financeira no currículo escolar torna-se bastante relevante. Conteúdo aprendido ainda na vida escolar pode tornar mais fácil a aplicação prática do conhecimento na vida adulta. Já aos adultos que não tiveram lições sobre como lidar com o dinheiro cabe buscar conteúdo. O que não pode continuar a ocorrer é o aumento do endividamento familiar, que há alguns meses atingiu o maior patamar dos últimos dez anos, segundo estimativa do Banco Central. De março para abril (último dado disponível) o percentual saltou de 46,20% para 46,30%. O cálculo considera o total das dívidas dividido pela renda no período de 12 meses.
É certo que os brasileiros tinham uma demanda reprimida por bens duráveis e não duráveis. O aumento da renda e do acesso ao crédito possibilitou a compra de vários produtos, mas é importante que as famílias se programem para não sofrerem com as restrições impostas futuramente.

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