De nada adianta um conhecimento se pouco – ou quase nada – é aplicado. Esta afirmação cabe ao comportamento do brasileiro quando o assunto é a educação financeira. Pesquisa da Serasa Experian apresentada ontem avaliou três fatores: conhecimento (quando o consumidor sabe); atitude (o que ele diz que faz); e comportamento (o que ele realmente faz). A conclusão dos pesquisadores não é tão satisfatória: indica que, em geral, o consumidor gasta mais do que ganha, não guarda dinheiro e não planeja o futuro.
A explicação está alicerçada no excesso de crédito disponível no mercado. É um fator relativamente recente, mas colabora para isso a falta de informações das financeiras quanto à aplicação das taxas cobradas e do real nível de endividamento dos consumidores. A pesquisa avaliou que os brasileiros (de baixa e alta renda) têm informações sobre educação financeira. Tanto que o quesito "conhecimento" (que avalia o entendimento de conceitos financeiros) alcançou o melhor resultado da pesquisa: 7,5. O problema apontado é que, apesar de saber o que fazer, os consumidores exageram nos gastos.
É importante lembrar que ainda há uma demanda reprimida por bens duráveis e não duráveis. Foram anos de inflação altíssima, de preços remarcados diariamente e sem crédito disponível. O que falta é o brasileiro se acostumar com essa nova realidade, planejar seus gastos e poupar para o futuro.
O resultado da pesquisa aponta para a necessidade de desenvolvimento de um programa efetivo de educação financeira. O consumo consciente é interessante para todos os elos da cadeia: indústria, varejo e consumidor. Se entre os mais velhos o índice de conhecimento é mais alto, seria interessante que as crianças também começassem a ser conscientizadas já na escola para que não enfrentem problemas financeiros na juventude. O planejamento permite a aquisição de bens sem sacrificar a qualidade de vida da família e algumas noções que favoreçam uma mudança de comportamento pode ser positivo para a economia do País.

mockup