Educação financeira
Os brasileiros não sabem lidar com o dinheiro. O histórico dos índices inflacionários altíssimos e a baixa oferta de crédito contribuíram para a falta de educação financeira. Já a estabilidade da economia conquistada na última década criou um novo cenário: abundância de crédito e parcelamentos com longos prazos para quitação. Somado a esses fatores veio a abertura do mercado interno para importações. O acesso à tecnologia e a uma variada gama de produtos e serviços fizeram aumentar a lista de ''sonhos de consumo'' da população, levando muitas pessoas ao consumismo e ao descontrole financeiro.
Em tese, todos esses fatores facilitariam um outro tipo de comportamento, inviável nos anos de reajuste diários de preços: o planejamento. Embora agora seja possível aos consumidores planejar suas compras, devido à estabilidade de preços e à manutenção dos empregos, não é isso que tem ocorrido na prática. O endividamento das famílias tem batido sucessivos recordes, segundo levantamento do Banco Central (BC). Em agosto (última pesquisa divulgada) a dívida total das famílias equivalia a 44,46% da renda acumulada nos últimos 12 meses. É o maior percentual atingido desde 2005, quando o BC começou a fazer o levantamento. O índice é calculado ao dividir o saldo remanescente das dívidas pela renda em 12 meses. Apenas nos oito primeiros meses do ano, a fatia da renda que representa o endividamento subiu 1,81 ponto percentual.
O descontrole está intimamente ligado à falta de educação financeira. Segundo especialistas, cerca de 70% dos aposentados brasileiros têm algum tipo de empréstimo. É um índice alto, ainda mais considerando que é feito o desconto em folha de pagamento. Outro ponto que merece atenção, segundo a advogada especialista em Previdência Marly Fagundes, é que nem sempre o limite de 30% para comprometimento da renda tem sido respeitado. Essa é uma ação que deve ser investigada pelo BC e que não deve continuar incólume. É importante que bancos e financeiras respeitem o limite estabelecido em lei, uma vez que em muitos casos os idosos são facilmente ludibriados. O crédito farto é positivo, mas é importante que o ''consumo responsável'' seja também incentivado.





