Todos os alunos com deficiência mental, transtornos globais e com altas habilidades devem ser matriculados no ensino regular. É o que estabelece o Parecer nº 13/2009 do Conselho Nacional de Educação (CNE). A proposta, cujo objetivo é promover a inclusão escolar, é motivo de preocupação de pais, alunos e profissionais da área, que temem a extinção das escolas especiais.

O presidente da Federação das Apaes (Associações dos Pais e Amigos dos Excepcionais) do Paraná José Turozi ressalta que os portadores de necessidades especiais precisam de atenção diferenciada. Em entrevista à FOLHA, ele esclarece: ''Somos favoráveis à inclusão. Não somos um nicho segregado. Nos últimos cinco anos, a Federação das Apaes colocou quase 4 mil alunos no ensino comum e inserimos aproximadamente 2 mil no mercado de trabalho paranaense. No entanto, a família deve ter a liberdade para matricular seu filho em uma Apae ou procurar outra escola.''

Por que a manutenção das escolas especiais é tão importante?
®MDBO¯®MDNM¯ A escola especial tem que ser mantida porque temos que considerar a necessidade de cada aluno. Nós entendemos que a escola especial está adequada para atender as pessoas especiais, que precisam de atenção diferenciada. Nós temos um convênio com a Secretaria de Educação e não podemos colocar mais de 10 alunos em uma sala. Se o aluno apresenta maior complexidade nós trabalhamos com seis por sala. No ensino regular isso não é possível. Como colocar um paralisado cerebral na escola pública, que atende até 40 alunos por sala?

Os professores do ensino regular estão preparados para receber os portadores de necessidades especiais?
Existe um esforço do ministério no que diz respeito à capacitação dos profesores, mas fazer uma inclusão abrupta é uma irresponsabilidade por parte do MEC. A inclusão acontece lentamente. Querem que em janeiro de 2010 todos os alunos frequentem uma escola comum. Eles não ouviram as famílias, a comunidade, as Apaes, as escolas de surdos e de cegos. Temos que ouvir inclusive o aluno. Fazer inclusão não significa apenas colocar o aluno na escola. É preciso realizar um trabalho digno. Atendemos mais de 30 mil alunos no Paraná e alguns nunca vão conseguir ir para a escola comum e para o mercado de trabalho.

A inserção dos alunos especiais no ensino regular não é importante para ensinar as pessoas a lidar com as diferenças?
Nós treinamos e colocamos esses alunos na escola regular e no mercado. No entanto, o trabalho com uma pessoa com deficiência mental é mais lento. Não adianta nos precipitarmos e achar que a escola comum vai resolver todos os problemas porque não vai. De acordo com o IBGE, 12% das escolas públicas do Brasil têm acessibilidade e 18% contam com banheiros adaptados. O país tem 25 milhões de pessoas com deficiência. Somente as Apaes do Brasil atendem mais de 300 mil pessoas.

Na sua opinião, qual o fundamento do parecer do MEC?
Não sabemos porque o MEC está fazendo isso com as Apaes. É uma atitude precipitada. Isso mostra que eles não conhecem efetivamente a educação especial. Tenho ouvido centenas de pais indignados com essa postura. Conheço escolas federais que não têm intérprete de Libras e nem material em braile. O ministério deve garantir a acessibilidade nas escolas, oferecendo atendimento adequado. O MEC deveria ser um grande parceiro das escolas especializadas para doentes mentais. Deveria ir adaptando aos poucos, montando a sua estrutura, capacitando seu corpo docente para daqui um tempo termos a verdadeira inclusão.

O que a Federação das Apaes pretende fazer diante da ameaça de fechamento das escolas especiais?
A legislação vigente nos favorece. Temos a Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e o Conselho Nacional de Educação que falam da escola especial. Estamos com audiência marcada com a secretária de Educação para solicitar a autorização e o reconhecimento das escolas especiais e Apaes do estado. Vamos pedir que o governo prorrogue nosso convênio que vai se encerrar este ano. Queremos dar tranquilidade ao pai, mãe, aluno, professor e dirigentes. A nossa luta não vai parar e as escolas especiais não vão acabar.

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