''Horrível! Com vontade de vomitar.'' Foram as palavras da procuradora do Trabalho, Margaret Matos de Carvalho, depois de visitar a usina de reciclagem de lixo em Arapongas. Depoimento feito no dia 7 de outubro quando a procuradora proferiu palestra na sede da Soame (Sociedade Ambiental, Cultural e Educacional) no Fórum Municipal Lixo & Cidadania de Rolândia. Ainda, afirmou a procuradora, ''em vez de se gastar dinheiro com usinas deveria se investir em educação, numa conscientização permanente..., as usinas fazem o município se acomodar''.
Em Rolândia, município candidato a ganhar uma usina de lixo, o resultado da campanha de reciclagem de lixo não agrada, segundo o prefeito Eurides Moura. Foram inúmeros panfletos e modelos que não conseguiram sensibilizar a população. De acordo com a associação dos recicladores de lixo em Rolândia, o resultado da coleta seletiva tem sido melhor nos bairros pobres da cidade onde o envolvimento das famílias é direto e não delegado a terceiros. Fato interessante que deveria ser trabalhado.
Porém, o ''lento'' processo educativo acaba ficando para o segundo plano, porque vive-se em ''situações de emergência''. Assim foi na época do lixão de Rolândia e é agora com o aterro de lixo precocemente saturado. A emergência acaba sendo o argumento de políticos e empresários para a implantação de ''tecnologias de 1º mundo''. No entanto, o que deveria ser solução acaba se tornando uma nova emergência e cria-se um ciclo vicioso. Poucos ganham com isso e muitos perdem. A população acaba não se envolvendo ativamente e problemas ambientais, como o lixo, crescem.
Sair desse ciclo pernicioso requer iniciativas pequenas e contínuas de ''baixo para cima''. Informações valiosas da nossa realidade, como as informações dos que vivem do lixo, podem fazer com que a sociedade se mobilize sem necessidade de panfletagem. Que sejam criados fóruns autênticos do lixo, onde os catadores de lixo e a população tomem as iniciativas. Onde iniciativas, como Incubadoras de Cooperativas Populares e o Movimento Nacional dos Catadores, possam ser melhor conhecidos. Em vez de empurrar soluções goela abaixo, as classes política e empresarial poderiam ser de fundamental importância neste cenário, tornando possível o intercâmbio de conhecimento.
Acreditar no poder da cidadania significa eleger representantes que, em vez de gastar dinheiro com obras públicas ''politicamente corretas'', investem na educação. Educação, visando capacitar o indivíduo a participar na vida comunitária.

DANIEL STEIDLE é ambientalista em Rolândia e estuda mestrado de geografia, meio ambiente e desenvolvimento na Universidade Estadual de Londrina

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