Educação e sobrevivência
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003
João Jacob Buchala 
É gritante a falta de interesse da juventude por cultura e conhecimento. O avanço tecnológico e a facilidade de acesso à informação não têm exercido o impacto e a magia que se imaginavam.
A mente humana, rigorosamente, tem que evoluir com o passar das gerações. Isto é a condição básica para a sobrevivência racional. No livro ''Escritos da Maturidade'', o físico Albert Einstein faz uma reflexão que concerne a este assunto. ''Não acredito que a civilização vá ser exterminada numa guerra em que se use a bomba atômica. Pode ser que dois terços da população da Terra sejam mortos. Mas, restariam homens de pensamento e livros suficientes para se começar de novo, e a civilização poderia ser restaurada''.
Uma única questão deveria ser feita ao dr. Einstein. Será que restariam pessoas com estas características? Há preocupação suficiente para que quaisquer sobreviventes produzam como resultado a restauração da civilização? Algo desta grandeza deveria fazer parte dos objetivos de cada ser humano independentemente de haver ou não o risco de uma guerra nuclear.
O problema não é ter livros, mas processar o conhecimento neles contido. Isto exige preparo. Aí está a Internet. Nunca tanto conhecimento esteve tão acessível a tantas pessoas. E quem perambular entre os jovens desta geração talvez ficará abismado com o vazio que paira sobre a grande maioria.
Conhecimento, em si mesmo, é algo estático, sem expressão real. Os mestres se empenham em comunicar informação e conhecimento. Mas o esforço de vivenciá-los e torná-los úteis ao mundo depende de um processo que parece distante dos objetivos da geração atual. Requer interesse, objetivos, metas, valores a serem alcançados.
A vida nos últimos anos tem sido baseada no materialismo e na luta pelo poder. O homem está cego, fechado em si mesmo. Conceitos éticos, culturais e morais de vida coletiva, de cooperação mútua estão quase mortos. O alvo está na badalação e no prazer. No fundo de cada ser humano existe uma insatisfação por causa disto.
O modelo de educação e de comunicação de valores deve, antes, ensinar as pessoas a buscar um significado em tudo o que fazem. Deve ser um sistema de transmissão de experiências e de conquistas, de geração em geração. Isto asseguraria o aperfeiçoamento da habilidade de transformar em prática todo o conhecimento acumulado e geraria pessoas movidas por uma vida significativa. Este modo de viver daria ao mundo a segurança de que a ignorância e a indiferença não causarão, num futuro próximo, um dano maior que a própria bomba atômica.
JOÃO JACOB BUCHALA é estudante do segundo grau em Londrina


