Que a qualidade da educação pública brasileira deixa a desejar não é novidade para ninguém. No entanto, relatório divulgado ontem pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) joga um pouco de luz na questão. De acordo com o levantamento, em 2011 o gasto público com cada estudante brasileiro foi de US$ 2.985, o correspondente a R$ 6.789. Já países desenvolvidos como Estados Unidos, Noruega, Dinamarca e Áustria, por exemplo, gastam mais de US$ 10 mil.
Foram incluídos no levantamento da OCDE investimentos públicos feitos por 34 países que formam a entidade, além de dez parceiros – entre eles o Brasil. Da relação, somente a Indonésia gasta menos do que o governo brasileiro por estudante.
E como não podia deixar de ser, o resultado do investimento reflete diretamente nos rankings que medem o nível de conhecimento dos alunos. Entre 2011 e 2013, a média nacional no Ensino Médio ficou em 3,7, abaixo da meta estipulada pelo governo federal, que era de 3,9. Além disso, frequentemente são divulgadas notícias sobre o grande contingente de analfabetos funcionais, baixa capacitação de trabalhadores, entre outros balanços relacionados à educação – a maioria negativos.
No entanto, muito mais do que aumentar o orçamento é garantir a sua correta aplicabilidade. Reportagem de hoje cita bons exemplos de escolas que conseguiram melhorar seus índices a partir de iniciativas que deveriam ser comuns a todos, como comprometimento do corpo docente, avaliação constante e dedicação dos profissionais. É certo que os professores não são valorizados como deveriam, que muitas famílias delegam a educação de seus filhos à escola e que há muitos alunos desinteressados.
No entanto, no atual cenário, aumentar os recursos pouco contribuiriam para uma melhora efetiva da qualidade do ensino. É preciso investir nos profissionais, procurar pessoas realmente interessadas pela profissão, envolver as famílias para que seja criada uma nova mentalidade no ensino. Esse trabalho inicial é a base de todo o conjunto.

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