Não é novidade a nenhum brasileiro que a educação – pública e privada – oferece uma formação deficiente a crianças e jovens. Além do tradicional modelo, em que podem ser encontradas escolas sem infraestrutura adequada, professores mal capacitados e alunos desinteressados, os indicadores que medem a qualidade do ensino também apontam para um cenário não muito positivo. Há uma enorme quantidade de jovens e adultos analfabetos funcionais, pessoas sem qualquer qualificação profissional.
Se a educação de baixa qualidade já foi apontada como um dos gargalos que impedia o desenvolvimento do País, é de se esperar um consenso de que o atual modelo precisa ser reformulado. Apenas manter as crianças matriculadas, via pacote de benefícios sociais, não têm apresentado resultados. Entrevista de domingo nesta FOLHA discutiu um novo modelo de educação, criado pelo educador português José Pacheco, e baseado em áreas de interesse dos estudantes e desenvolvido por meio de projetos de pesquisa – em grupo ou individuais. O resultado, segundo ele, é o aprendizado multidisciplinar e o consequente aumento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, além de uma escola pública menos onerosa aos cofres públicos.
Se esse modelo é o ideal para ser implantado em todo País não é possível afirmar. No entanto, é importante que sejam apresentados e discutidos outras propostas de ensino. A escola, como conhecemos hoje, precisa ser reformulada a fim de garantir a aprendizagem dos estudantes. O conhecimento é um dos fatores de transformação dos seres humanos e mola propulsora do desenvolvimento econômico. É preciso investir em um trabalho de base que consiga manter o interesse de crianças e adolescentes pelo ensino. A escola não pode continuar a ser encarada como "algo tedioso" e desinteressante.

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