Somente o diploma superior não tem assegurado o aumento da renda dos trabalhadores, aponta recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme o levantamento, os rendimentos deste público ficaram praticamente estáveis entre os anos de 2003 e 2011, com ganho real de apenas 0,3% e com média de R$ 3.850,52. Este mesmo estudo indica que, na outra ponta, a remuneração média dos trabalhadores que têm até 8 anos de escolaridade subiu 30,6% acima da inflação nesses últimos 8 anos.
Com a popularização do ensino superior, cursar uma faculdade deixou de ser privilégio para poucos. Em muitos casos, mensalidades de graduação de uma instituição privada são mais baixas do que as de um bom colégio particular. E, sem dúvida, é um fator positivo porque mostra que os brasileiros valorizam e se esforçam para obter a formação superior. No entanto, também é importante acrescentar que muitas instituições não oferecem ensino de qualidade. Anualmente, o Ministério da Educação (MEC) anuncia corte de vagas em instituição mal avaliadas. Esse controle é salutar, mas é preciso funcionar. O MEC tem o dever de garantir um ensino de qualidade.
Se análises ainda indicam que a estagnação da renda revela que não há um apagão generalizado de profissionais qualificados, mostra também que a formação tem sido insuficiente. E, neste ponto, não é só apenas a educação superior, mas todo o ensino básico. Ensino deficiente e falta de interesse de alunos também interfere diretamente nos rendimentos dos profissionais.
Outro importante quesito é que a oferta de cursos das universidades também não tem atendido as demandas do mercado. Discussão recente promovida em Londrina apontou para uma necessidade por engenheiros, enquanto a maioria dos cursos ofertados em instituições públicas é da área de humanas. Também é preciso haver um alinhamento neste sentido, para que não ''sobrem'' profissionais formados em cursos sem demanda no mercado de trabalho e não ''faltem'' trabalhadores específicos, como têm ocorrido frequentemente.

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