Educação e jovens
A maioria dos principais problemas enfrentados hoje pelo Brasil é ocasionada pela falta de uma educação de qualidade. O assunto voltou à tona novamente nessa semana depois da divulgação do estudo "Os Nem-Nem-Nem: exploração inicial sobre um fenômeno pouco estudado", da pesquisadora Joana Monteiro, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas. O levantamento aborda o comportamento de jovens que não estudam, não trabalham e não procuraram emprego nos últimos 30 dias. O percentual de brasileiros que se encaixa nesse perfil é de 17%; na Região Sul o índice é de 13%. Pessoas com pouca escolaridade e baixa renda familiar são maioria.
Embora não tenha uma conclusão pragmática sobre o fenômeno, uma das avaliações é que esse público perdeu o interesse pela educação e pela busca do emprego ou não consegue se adequar ao mercado de trabalho devido ao baixo nível educacional. Essa situação reflete diretamente a desmotivação dos jovens com relação à escola e ao mercado de trabalho.
A falta de interesse de jovens e crianças pela educação é algo latente. Há muito o ensino tradicional perdeu atrativos, seja pelo sucateamento da estrutura ou pela falta de capacitação dos professores. Investimentos na área são urgentes e necessários, mas é preciso a elaboração de um plano de modernização para a implantação de um ensino que prenda a atenção dos alunos e que desperte a necessidade e a importância da educação.
Talvez, o crescimento dessa geração reflita os anos da falta de investimentos significativos na área somados a um cenário de crise econômica (onde a busca por uma colocação no mercado de trabalho fica mais difícil) aliado a programas de distribuição de renda, que tendem a gerar uma acomodação. Outro ponto importante é o papel da família nesse processo: é importante que os pais conscientizem seus filhos sobre a necessidade da educação para a construção de um futuro profissional. Sem qualificação, dificilmente essas pessoas melhorarão sua condição financeira e esse ciclo se manterá.





