Poucos hão de discordar que o ensino no Brasil se expandiu consideravelmente nos últimos anos, apesar de algumas deficiências ainda existentes em áreas como a do ensino superior. Ainda assim, a defasagem entre o nosso sistema educacional e os existentes nos países mais desenvolvidos tem diminuído consideravelmente. Ao mesmo tempo, o aumento do nível de escolaridade de nossa população tem se tornado cada vez mais um fator decisivo no sentido de assegurar a sustentabilidade do desenvolvimento sócio-econômico, reduzir as diferenças sociais e atenuar o avanço da pobreza. Além disso, não podemos deixar de considerar que a expansão educacional tem sido igualmente um fator de grande importância para o aumento da produtividade do trabalho, para a melhoria da qualidade dos nossos produtos e para facilitar a integração brasileira ao mundo moderno.
Na Coréia do Sul e em Taiwan, por exemplo, nas décadas de 70 e 80, aconteceu uma verdadeira revolução educacional. Como resultado, após vinte anos de investimentos maciços em educação, a economia asiática deu um enorme salto de qualidade. A massa salarial e a qualidade de vida dos trabalhadores atingiram níveis semelhantes aos existentes nos países desenvolvidos, os seus produtos tornaram-se altamente competitivos no exigente mercado internacional e o montante das exportações já era de quase R$ 150 bilhões ao ano, somente na Coréia, no final da década de 90.
Segundo analistas, a grande oportunidade para o Brasil neste momento passa, necessariamente, por uma aceleração sem precedentes no ritmo de expansão do sistema educacional e da qualidade do ensino. É preciso disseminar um novo conceito de desenvolvimento, ampliar a produção do conhecimento e preparar os agentes difusores desses novos perfis em áreas como o desenvolvimento local integrado e sustentável, o empreendedorismo e o microcrédito. Tudo levando em conta a necessidade de se valorizar, sobretudo, o capital humano e social. Para isto, têm de ser realizados levantamentos sócio-econômicos para identificar as potencialidades existentes nas diversas regiões e descobrir as vocações locais. Deve-se procurar incentivar a formação e o fortalecimento de redes de parceria, descentralizando as ações no sistema de relações econômicas, políticas e sociais. Em síntese, obter vantagens cooperativas na produção sustentável do capital humano e do capital social,por meio de ações convergentes da sociedade civil, do mercado e do estado.
O investimento em educação deve ser visto como força motriz do desenvolvimento, de inovação, de dinamismo, de criatividade e de mudançaem benefício do cidadão comum, do cidadão que trabalha no Governo, na iniciativa privada e nas organizações da sociedade civil. É justamente seguindo este caminho e incentivando o crescimento que iremos realizar o nosso grande sonho de ver o Brasil melhor.
RENAN CALHEIROS é líder do PMDB no Senado e ex-Ministro da Justiça

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