Nicole Cerci Mostagi

A discussão sobre os impactos danosos de que o meio ambiente e de alguns seres humanos padecem por causa do desenvolvimento originou uma nova questão sobre as perspectivas de desenvolvimento diante de um social e meio ambiente degradados. Ela aponta uma necessidade de agir mais responsável em relação ao meio ambiente (recursos finitos) e aos indivíduos, pois a visão humana é utilitarista e imediatista.
Embora a educação tenha evoluído em grandes proporções no mundo moderno, ainda assim existem muitos desafios a desenvolver na sociedade, uma construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo, especialmente, quando se trata sobre as questões do desenvolvimento sustentável. Ademais, como toda essa reflexão poderá se efetivar em práticas transformadoras?
O desafio para que se alcance isso é imenso. Para que essa reflexão crítica se torne ação, atitude, como também atividade política, é preciso questionar as bases dominantes de racionalidade vigentes da modernidade, refletindo criticamente sobre o pensamento dominante, que considera sempre de forma muito objetiva e mecânica as relações sociais.
Nesse sentido, é preciso um olhar crítico para educação, implícitas em seu núcleo, todas as relações do homem com a natureza, que seja uma educação que ensine a refletir de maneira reflexiva; que seja algo realmente transformador, longe de todas as formas de opressão subjacentes nessa racionalidade mecanicista-reducionista, como diria Paulo Freire, a busca para que ocorra o diálogo e a educação, um posicionamento ético-político, mas que só se concretizará mediante a superação objetiva das relações de dominação, opressão e expropriação que caracterizam a sociedade capitalista.
Nota-se a educação ambiental como um processo educativo de integração equitativa entre a natureza, o indivíduo e o meio, para transformar os valores e práticas sociais relacionadas ao meio ambiente. Nesse contexto, é preciso mais do que a simples temática educacional abordando temas "rasos", necessitados de uma educação transformadora, emancipatória, que proporcione ferramentas aos cidadãos para que eles possam modificar suas práticas, mudar seus hábitos e respeitar muito mais o ambiente a sua volta, sem subjugar a natureza de maneira bruta e produtivista.
Conclui-se que é necessário e urgente, por meio de uma perspectiva crítica, avaliar questões mais subjetivas sobre os indivíduos, sociedade e suas interações com o intuito de nos emanciparmos e buscarmos práticas, ações e atitudes realmente transformadoras. A proposta, então, seria institucionalizar a educação ambiental de maneira interdisciplinar como instrumento que realiza essa atitude transformadora nos indivíduos, a fim de capacitá-los a refletir sobre as questões do desenvolvimento sustentável.
Somente pela educação, implicando a educação ambiental, podemos dialogar e elaborar propostas interdisciplinares com a intenção de favorecer o diálogo, a prática e a integração entre saberes e ciências distintas, nos livrando do generalismo alienante hegemônico e totalizador.

NICOLE CERCI MOSTAGI é estudante do mestrado em Administração pela Universidade Estadual de Londrina



■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res.
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup