Educação alternativa para poucos
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de dezembro de 2002
Mônica Kaseker<br> Equipe da Folha 
Curitiba Que tal uma educação voltada para as brincadeiras antigas, incentivo à imaginação e criatividade das crianças e destaque para valores como solidariedade, amizade, família, amor e paz? Este é o ideal sonhado por muitos pais quando chega a hora de escolher a primeira escola de seu filho, mas poucas famílias podem se dar ao luxo de oferecer uma educação alternativa. Os preços são mais altos e os horários restritos.
Em Curitiba, existem cerca de 250 escolas de educação infantil. A maioria tem um sistema muito parecido de funcionamento. Oferecem aulas de culinária, balé e judô, e as atividades, inclusive para crianças de dois anos, seguem livros didáticos ou apostilas. Nas datas comemorativas como dia das mães ou dos pais é normal a cobrança de taxas para a compra de presentes. Nas festas de aniversário de todas as crianças também é de bom tom providenciar presentes. Há ainda festas da moda como Halloween, de origem americana, em que as crianças precisam ir fantasiadas. Ao final do pré-escolar, em geral, acontece a festa de formatura, com beca e tudo.
Baseadas no modismo, muitas escolas também têm o dia do brinquedo, que seria para aprender a dividir, mas que acaba correndo o risco de se transformar num desfile de quem tem o melhor brinquedo. A maioria das escolas segue esses padrões e, por isso, sua localização acaba sendo muito mais prática. Além disso, é possível encontrar mensalidades a partir de R$ 150,00 para meio período. Quem quiser oferecer uma educação alternativa ao seu filho, com certeza terá que pagar pelo menos o dobro e talvez tenha que se deslocar para um bairro distante.
''O consumismo é indesejável, mas ao mesmo tempo inevitável. O mundo é assim. A escola tem que estar muito afinada com os pais para mostrar outros valores'', avalia a professora Elisa Dalla Bona, do Departamento de Pedagogia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para ela, é preciso que os pais participem da vida escolar do filho desde cedo e proponham mudanças de enfoque. Ela também condena o uso da televisão no ambiente escolar. ''A televisão já é tão presente na vida das crianças, por que a escola também estimularia isso?'', questiona.
Outro ponto questionável é o treinamento para a alfabetização, como os exercícios de repetição de letras. ''A alfabetização pode acontecer na fase dos três ou quatro anos, mas de outra forma, atendendo a curiosidade natural da criança e através de brincadeiras e jogos'', explica.


