Em artigo anterior, abordei a questão dos baixos índices de leitura no País, indicando que a reversão desse déficit intelectual passa pela Educação de Qualidade.
Em vista da importância do tema, convém ampliarmos algumas linhas na sua reflexão. É evidente que uma análise breve é sempre limitada. Mesmo assim serve para contrapormos o modelo vigente de Educação com as competências que o mundo atual exige do estudante no pós-escola.
Com a expansão da tecnologia, o mercado de trabalho além de se tornar mais restrito, vem a cada dia ampliando os requisitos em torno do perfil técnico e profissional do postulante a uma vaga. A capacidade física cede espaço à desenvoltura intelectual; a simples obediência a comandos específicos de forma programática passa à periferia dos interesses do processo produtivo e entra em cena a criatividade, a competência de saber inovar, aperfeiçoar sempre, planejar, racionalizar, dinamizar para evitar a saturação.
De maneira geral, essas são as principais características que uma pessoa deve apresentar na escalada para o sucesso, na sociedade contemporânea. As linhas de montagem digitalizadas da indústria pós-moderna superaram a passividade na recepção de ordens prontas e a execução de tarefas condicionadas muito em voga no modelo industrial arcaico, do qual remontam o fordismo e o taylorismo como simples protótipos de um futuro que seria descortinado com base na reflexão e na investigação científica.
Nós somos parte desse futuro. Infelizmente, não estamos preparados para interagir nesse contexto e tirar maior proveito social das benesses da era digital. A nossa escola continua como sempre com giz, lousa e livros defasados. Alfabetiza, mas não forma o leitor proficiente capaz de ler o mundo com criticidade, observando as entrelinhas ideológicas das informações do cotidiano. A grande maioria dos nossos alunos não tem outra fonte de busca do conhecimento, além das lições escolares. O computador ainda é um ilustre desconhecido do universo pedagógico.
Tudo isso evidencia a nossa fragilidade educacional. É verdade que se democratizou o acesso à escola, mas a qualidade do ensino foi fragmentada ao se negligenciar o fato de que Educação é muito mais: é verdadeiramente formar o cidadão do novo século, instrumentalizando-o para ser um agente autônomo, capaz de refletir e construir o seu caminho, sem ser arrastado pelo desespero de se sentir um alienígena no seu próprio mundo.
PAULO CEZAR BASÍLIO é professor e vereador em Pinhão

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