''Depois que comecei a fazer parte do coral da escola, descobri que toda vez que tenho alguma dor de cabeça, algum problema, e começo a cantar, a dor vai embora, o problema passa.'' O depoimento da estudante Mariana Lopes de Moura, 14 anos, ilustra bem os resultados que o projeto ''Musicalização na Escola'', desenvolvido no Colégio Estadual Ana Molina Garcia, no Jardim Interlagos, Zona Leste de Londrina desde março deste ano.
Mariana integra um grupo de 80 crianças e adolescentes que vivem na Zona Leste de Londrina que participam do projeto desenvolvido pelo professor de Música, Jorgisnei Ferreira de Rezende. Os participantes estão divididos em duas turmas de musicalização, que ensaiam duas vezes por semana no colégio, no contraturno das aulas normais.
A estudante afirma que já cantava em um coral da igreja católica de seu bairro, mas que acabou optando pelo curso da escola para ter uma atividade no período da tarde. Mariana já faz planos para seu futuro musical. ''Quero ser cantora. Tenho muita facilidade para decorar as letras das músicas. Vou aproveitar as aulas daqui para ir afinando minha voz'', disse.
Outra integrante do Projeto de Musicalização, Mônica Berg da Silva, 14 anos, afirma que sempre gostou de cantar, mas não tinha tido oportunidade de participar de um coral antes. ''Aqui é muito bom porque as músicas que aprendemos sempre tem uma mensagem que pode ajudar a nós mesmos e aos outros'', afirmou.
Segundo o professor de música Jorgisnei Ferreira de Rezende, 37 anos, o projeto tem como objetivo iniciar as crianças e adolescentes que vivem em situação de risco em uma atividade que preenchesse o tempo que ficam fora da sala de aula. ''Procuro desenvolver as atividades respeitando o potencial de cada aluno,'' comentou.
O trabalho busca desenvolver a musicalização, através de exercícios básicos de técnica vocal, dinâmicas de grupo, construção de instrumentos a partir de sucata. Segundo Rezende, o trabalho já reflete no comportamento dos estudantes do colégio. ''No início, existia uma rixa entre os participantes dos diferentes períodos. Toda vez que eles se encontravam para alguma atividade em conjunto, sem tinha alguma briga. Mas com o tempo isso acabou sendo contornado e hoje todos convivem bem'', disse.
Rezende afirmou que o repertório também tem papel importante no resgate da dignidade e cidadania das crianças atendidas pelo projeto. ''Procuro trazer músicas que os façam refletir sobre a violência e os problemas com drogas'', disse. Segundo o professor, através da música, o projeto também acaba despertando o interesse pela leitura. ''Procuro músicas, como rap, que têm letras mais extensas que eles têm de ler'', comentou.
Com apenas dois meses de atividade, observa Rezende, os alunos já tinham reportório para se apresentar na comemoração dos Dias das Mães. De lá para cá, o grupo se apresentou diversas vezes na própria escola, e no dia 12 de dezembro cantaram no Palácio do Iguaçu, em Curitiba. ''As apresentações na escola servem para estimular o interesse de novos alunos pelo projeto'', comentou.
A estudante Melri Ariane Rico da Silva, 13 anos, disse que está foi a primeira vez que viajou para Curitiba. ''Foi muito legal cantar no Palácio do governo. Me senti importante, e ser aplaudida naquele lugar foi muito emocionante'', contou. Ela disse que tem recebido muito apoio de sua família para participar do coral. ''Minha mãe está orgulhosa, nunca faltei ao ensaio'', contou.

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