EDUCAÇÃO - Cultura positiva forma jovens conscientes
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de novembro de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Eleições norte-americanas, músicas norte-americanas, crise norte-americana. Nos noticiários, é impossível não se ater ao que acontece nos Estados Unidos. No universo dos negócios, o mundo fala inglês. Mas seria essa hegemonia positiva? Como administrá-la? Uma vez que todos têm de saber tudo que se sucede nos Estados Unidos e aprender inglês, como repassar esses conteúdos? Para todas as perguntas, o treinador de professores da Universidade de Graz, na Áustria, Herbert Puchta, acena com otimismo. Ele destaca que, para que a relação de professores e alunos seja de fina sintonia, é preciso estabelecer um vínculo de confiança mútua.
Como motivar crianças ao aprendizado do inglês e demais matérias?
Acredito que o grande desafio não é como inicialmente motivar as crianças, e sim como manter essa motivação. As crianças apresentam um grande nível de motivação com tudo que é novo. A faixa etária que acredito ser a mais difícil de ensinar são os adolescentes. Há um ditado que diz: se você consegue ensinar aos adolescentes, você consegue ensinar a qualquer um. Para estabelecer esse elo com os jovens, é preciso estabelecer um vínculo de confiança mútua. Quando os alunos sentem que são aceitos não apenas como alunos que estão na escola para aprender, mas como indivíduos, criamos bases para ensinar adolescentes com sucesso.
O senhor viaja muito treinando professores. Quais as maiores dificuldades que percebe?
As diferenças culturais, sem dúvidas. No hemisfério sul, por exemplo, você não precisa se preocupar com professores que não estejam prontos para optar pelo novo. Os professores no Brasil, por exemplo, são muito espontâneos e abertos. Eles querem tentar coisas novas, algo diferente, não têm medo de mudar. Não é o caso no restante do mundo. Há muitos países em que os professores tendem a ser mais reservados e não são tão abertos e espontâneos, como no Brasil.
As novas gerações já são bilíngues? Como vê esse processo?
Os jovens já são bilíngues em países onde duas línguas são faladas diariamente. Mas há, também, um sem fim de países em que não ocorre o mesmo, e jovens falam uma segunda - muitas vezes uma terceira e até quarta línguas - extremamente bem. Em relação ao Brasil, fico satisfeito em ver o entusiasmo e a competência dos professores de inglês.
Da geração do lápis e caderno à era do mouse, o que mudou na educação?
Para mim, há coisas na educação que não mudaram. A importância de uma cultura positiva em sala de aula, por exemplo, é representada pela necessidade de os professores verem seus alunos como seres humanos e continua a mesma. O que mudou é que agora dispomos de mais tecnologia. O livro continua sendo regra, mas acredito que as novas mídias e meios só têm a agregar ao processo de aprendizagem.
Recentemente, um professor de História afirmou à nossa reportagem que a ''hegemonia dos EUA está sob ameaça''. Com a ascensão de novas potências, o inglês está sob ameaça?
Eu não diria que o inglês está sob ameaça. Trata-se do meio internacional mais importante de comunicação. De qualquer forma, outras línguas estão na ascendente. É fato que o inglês se tornou a língua número um das relações internacionais. Eu pessoalmente acredito que devemos encarar o inglês como uma língua franca, que vai além dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.


