O Brasil, país marcado pela vastidão territorial e economia diversificada, tem nas rodovias a majestade absoluta no transporte da produção agrícola e industrial. Mas isso não impede que outros modais - sobretudo o ferroviário - tenham fôlego para aumentar sua participação, como a Folha de Londrina mostrou em reportagem na edição do fim de semana (24 e 25).

Uma cooperativa ouvida pela reportagem mostrou as vantagens de utilizar tanto o transporte ferroviário quanto o rodoviário para escoar seus produtos. O gerente de logística da Integrada, Itacir Nardino Júnior, explicou que o uso é simultâneo e focado na eficiência, observando os melhores momentos de mercado de cada modal.

“Alguns fatores como oferta de vagões, espaço físico em armazéns portuários e terminais de transbordo, tarifas de frete, entre outros, podem influenciar a utilização tanto do rodoviário como do ferroviário”, afirma. “Nossa estimativa é que cerca de 40% do volume passa pela ferrovia e os outros 60% são transportados pelo modal rodoviário.”

A realidade da cooperativa é próxima da avaliação feita pelo professor e ex-secretário do Transporte do Paraná, Mário Stamm Jr., que diz que o Brasil passa por uma fase de transformação em termos logísticos e que aspectos como eficiência e preço são centrais na discussão do uso de modais.

Nesse cenário, segundo o professor, a tendência é que o rodoviário, que já é o mais utilizado no país, continue com o maior espaço. “Ele serve principalmente para o que a gente chama de 'door to door', de porta a porta. Você sai de um local, carrega e descarrega em outro, com o próprio veículo, sem necessidade de transbordo - dependendo, naturalmente, da carga”, explica.

Stamm Jr. pontua que o caminhão é importante na dinâmica brasileira, mas isso não exclui a relevância do transporte ferroviário. Em Londrina, um movimento importante deverá ser a concentração dos transportes no ramal ferroviário da cidade, distribuindo as cargas que antes saíam de Ourinhos (SP).

O uso combinado dos modais rodoviário e ferroviário é um modelo interessante, utilizado em muitos países e deveria ser mais incentivado no Brasil. É claro que é uma estratégia que tem o seu sucesso dependente de uma boa infraestrutura rodoviária, com estradas bem conservadas e modernas. Dependente também do incentivo e financiamento para o transporte ferroviário.

Lembrando que o mundo tem testemunhado um aumento vertiginoso na demanda por transporte eficiente e sustentável. Assim, é extremamente importante que o Brasil olhe para além das estradas congestionadas e invista vigorosamente em outros modais, como o trem.

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