A violência contra os idosos teve um aumento, no Brasil, de 16,5% no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período de 2023. Foram registrados 78.185 casos em 2024. No Paraná, de acordo com os dados da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, foram 2.873 denúncias nos primeiros seis meses de 2024; em 2023, o número era menor: 2.659.

Os casos de violência contra os idosos acontecem de diferentes formas e contextos. Além da agressão física e psicológica, há também a negligência, um dos principais tipos de abuso cometidos contra os mais velhos, sendo visto, principalmente, na forma de omissão de cuidados e no abandono.

Nesse cenário familiar é observada ainda a violência financeira e patrimonial. Existem muitas queixas contras familiares que fazem empréstimos usando o nome do idoso e denúncias de que pais e avós, por exemplo, são forçados a assinar documentos transferindo bens ou imóveis para netos e filhos.

Pelo Estatuto do Idoso, quem expuser a pessoa idosa a algum tipo de violência está sujeito a uma pena de dois meses a um ano de prisão, além da multa. Entretanto, a detenção pode chegar a até 12 anos em casos mais graves. Conforme mostra reportagem da Folha de Londrina, há um projeto de lei tramitando no Senado que prevê o aumento dessas penas, justamente com a intenção de coibir esse tipo de crime que vem crescendo no Brasil.

Para evitar que abusos aconteçam, é importante denunciar qualquer tipo de violência contra as pessoas mais velhas. As denúncias anônimas podem ser feitas pelo Disque 100, que é nacional, assim como nas delegacias e no Ministério Público.

Visando a proteção e a dignidade da pessoa idosa, é necessário um trabalho coordenado entre poder público e sociedade civil, como acontece em vários países. Uma dessas ações é o fortalecimento dos serviços de apoio a essa população, como criação de delegacias especializadas e centros de referência. Também é importante treinar profissionais de saúde, assistência social e segurança pública e dar suporte psicológico e assistência social para as famílias que têm idosos em casa.

Além disso, é determinante que o poder público e a sociedade criem condições e incentivem a participação ativa dos idosos na comunidade, por meio de atividades culturais, educativas, de lazer e de emprego para aqueles que desejam trabalhar. Tudo isso pode contribuir para autossuficiência e autoestima dos idosos, reduzindo a vulnerabilidade e os casos de violência.

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