Em dez anos, a frota do Paraná registrou aumento de 35,6%, passando de 6,1 milhões de veículos em 2013 para 8,3 milhões no ano passado. Os dados do Detran-PR (Departamento de Trânsito do Paraná) expõem duas facetas distintas nesta escala. O fenômeno é motivo de comemoração, pois expõe o aquecimento econômico do Estado, mas ao tempo tempo evidencia os desafios iminentes em termos de mobilidade urbana e infraestrutura viária.

No âmbito econômico, a presença de montadoras de veículos no Estado representa um forte impulsionador. Essas indústrias injetam recursos na economia local através da criação de empregos diretos e indiretos, pagamento de impostos e estímulo à cadeia produtiva, incluindo a venda e revenda de automóveis, mercado de peças e serviços de manutenção. Esse mercado contribui para o desenvolvimento econômico do Paraná, criando oportunidades de emprego e promovendo a geração de renda para a população.

Por outro lado, o crescimento da frota de veículos traz consigo desafios consideráveis, especialmente no que diz respeito à mobilidade urbana e à sustentabilidade ambiental. O aumento do tráfego nas grandes cidades pode sobrecarregar o sistema viário, resultando em congestionamentos frequentes, tempo de deslocamento prolongado e aumento da poluição do ar. Nesse contexto, é imprescindível que as políticas públicas priorizem o investimento em transporte público eficiente e sustentável, visando mitigar os impactos negativos do aumento da frota de veículos.

Quando o assunto é carro, nem sempre é fácil equilibrar economia, mobilidade e sustentabilidade. A relação do brasileiro com o carro próprio ganhou força a partir do governo de Juscelino Kubitschek, que adotou o Plano de Metas, que visava promover o desenvolvimento industrial no país. Nesse contexto, foi criado o regime de incentivos fiscais para a indústria automobilística, atraindo investimentos de empresas estrangeiras como a Volkswagen, Ford e General Motors, que iniciaram a produção local de veículos.

De lá para cá, várias ações governamentais foram colocadas em prática com o objetivo de impulsionar a economia por meio da compra do carro. Na mais recente delas, o presidente Lula, no primeiro ano de seu terceiro mandato, aprovou redução temporária de 10% no preço do carro zero. É indiscutível a importância dos veículos e da indústria brasileira para a economia nacional, porém é preciso levar em conta os transportes alternativos.

Com um sistema de alta complexidade para administrar, é essencial que o Estado do Paraná adote uma abordagem integrada e sustentável para lidar com os desafios decorrentes do aumento da frota de veículos. Isso requer a implementação de políticas públicas eficazes que incentivem o uso responsável do transporte individual, mas que também fortaleçam o transporte coletivo e as alternativas sustentáveis.

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