Ao lado da manchete do caderno ‘Folha Economia’ da edição de ontem do jornal, que informava que a taxa de desemprego caiu a 7,4% em junho, havia a notícia sobre demissões na Itap, empresa que funciona em Cambé. Menos que uma coincidência, um alerta para que se evitem conclusões ufanistas diante de uma redução tão pequena na taxa de desemprego. Sem dúvida, é importante observar qualquer avanço no índice de empregos, assim como é válida a comparação relativa a outros períodos. Na verdade, dados estatísticos servem precisamente para informar situações, apresentando quadros que devem ser devidamente avaliados para servir como elemento de ações concretas na busca de soluções. E é certo que o índice de 7,4% apontado pelo IBGE para o desemprego – que apenas mede a situação nas 6 principais regiões metropolitanas do País – não é, ainda, de molde a provocar entusiasmo.
Com efeito, o caminho para se atingir o ponto ideal (desemprego zero) é longo e, para muitos, impossível de conquistar. Vale lembrar que épocas de pleno emprego só se registraram durante confrontos bélicos, notadamente a II Guerra Mundial, que levou um contingente de mulheres a ocupar postos de trabalho, enquanto os homens lutavam no front. Atualmente, chegar a índices pela casa dos 3% a 4% no desemprego é considerado um resultado fantástico. E o Brasil está bem longe disto. Na verdade, as taxas de desemprego no Brasil, no primeiro trimestre dos últimos anos, só estiveram em tais níveis no período de 86 a 90, chegando a 3,6% em 87. Depois, em 95, a taxa do primeiro trimestre alcançou 4,4%. E passou a subir, até os 7,8% dos últimos 3 anos.
Os resultados positivos devem, efetivamente, ser destacados. A queda, ainda que insignificante do índice do desemprego, é importante. O fato de pela primeira vez nos últimos 3 anos os depósitos no FGTS superarem os saques, conforme informa no mesmo ‘Folha Economia’ da edição de ontem o presidente da Caixa Econômica Federal, também é auspicioso, confirmando a recuperação da atividade. Todavia, são avanços pequenos, que podem ser explicados com a informação segundo a qual a reação do emprego é mais lenta que a de outros setores da economia, mas que deixam clara a necessidade de continuidade nas medidas tendentes a alterar a equação do trabalho no país. Igualmente, o fato de o desemprego não ser um problema exclusivo do Brasil (na vizinha Argentina foi iniciada ontem, na província de Santa Fé, a ‘Marcha Grande’, uma caminhada contra o desemprego, que termina em Buenos Aires dia 9 de agosto), não pode ser considerada uma desculpa.
O fundamental é o entendimento de que o próprio conceito de cidadania implica na existência de condições mínimas e dignas de vida para a população, o que inclui múltiplos direitos sociais, entre os quais o emprego. A percepção de que o Brasil conseguiu históricos avanços nos últimos anos, incluindo aí a estabilização da moeda, não elide a necessidade de novos esforços destinados a corrigir distorções, entre as quais a questão do trabalho é vital. As projeções para os próximos meses indicam que o desemprego tende a continuar caindo, independente de novas ações oficiais.
Há que perceber, porém, que o ritmo desta queda não condiz com as necessidades daquela imensa faixa que ainda vive na miséria e, por consequência, na desesperança. Novas iniciativas na área oficial, entre as quais, sem dúvida, a continuada redução na taxa dos juros, são necessárias. E podem garantir notícias ainda melhores para o trabalhador nos próximos meses.

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