O último sábado (3), data em que se completou um ano da confirmação da primeira morte pela Covid-19 em Londrina, também ficará marcado como o dia em que a cidade atingiu 1.001 óbitos pela doença. Até 15 de janeiro, o número de vítimas que perderam a vida para o vírus era de 500. De lá para cá, os londrinenses viram uma escalada assustadora na quantidade de mortes causadas pelo novo coronavírus.

Março terminou com a maior letalidade desde o início da pandemia, com 282 vítimas, mais do que a soma das mortes de janeiro (136) e de fevereiro (125). Os números mostram que, em média, a Covid mata uma pessoa a cada três horas na cidade. São dados que não podem, em hipótese alguma, serem normalizados ou subestimados. Precisam ser encarados com a devida gravidade: é a maior tragédia da história recente da humanidade.

No âmbito nacional, a campanha de vacinação, apesar de ter registrado um avanço nas últimas semanas, ainda segue com lentidão, longe da agilidade necessária para fazer frente às centenas de milhares de mortes registradas no país. E de pensar que no início da pandemia, o novo coronavírus chegou a ser apontado como “fantasia da grande mídia” pelo governo federal, que previa, no máximo, 800 mortes pela doença em todo o país.

O fato é que a situação chegou a tal ponto de calamidade que reduziu-se o espaço para o negacionismo. A morte de três senadores da República acenderam o alerta no Legislativo, que passou a pressionar o governo por medidas realmente efetivas para conter o avanço da doença. É inaceitável que o Brasil registre um terço das mortes diárias por Covid no mundo, mesmo concentrando 3% da população mundial.

Infectologistas e especialistas em saúde pública afirmam que, com a pandemia fora de controle, o Brasil se tornou uma espécie de estufa para o surgimento de novas variantes do coronavírus. E essas novas cepas, mais contagiosas, já circulam livremente, sem qualquer tipo de rastreamento pelas autoridades sanitárias.

Se antes a preocupação era com os idosos e com quem tinha comorbidades, hoje ninguém está a salvo dos efeitos letais do vírus. De grupos de risco, passamos a ter uma população toda em risco. A única esperança é que a vacinação acelere. As primeiras vacinas fabricadas inteiramente no país são um alento. Tecnologia que poderíamos dispor muito antes se houvesse mais investimentos em ciência no país.

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