EDITORIAL: Atenção com soluções fáceis para negociar dívidas
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2023
Adriana de Cunto 
Reportagem publicada pela Folha de Londrina nesta quarta-feira (25) mostrou que o número de reclamações contra o setor de “soluções financeiras” cresceu 75% no ano passado no Procon de Londrina. Setenta e quatro queixas foram realizadas só em 2022 e é possível imaginar que há uma subnotificação e esse número deve ser maior, pois muita gente perde a esperança de rever seu dinheiro de volta ou sente vergonha de ter caído em um golpe e acaba não procurando os meios competentes de denunciar a empresa. Há também uma parcela das vítimas que nem conhece seus direitos e não sabe como levar adiante uma reclamação dessa natureza.
O Procon Londrina informou à FOLHA que em 2021 e 2022 recebeu 116 reclamações contra quatro empresas, e uma dessas quatro empresas lidera o ranking com 86 reclamações apresentadas por consumidores nos últimos dois anos (50 queixas foram registradas em 2022 e nas primeiras semanas deste ano).
“Os problemas são por falhas na prestação de serviços prometidos com descontos exorbitantes, que não foram cumpridos conforme a propaganda. Os valores dos contratos vão de R$ 1,8 mil a R$ 10 mil, o que varia conforme a porcentagem do valor da dívida”, explicou o coordenador do Procon, Thiago Mota Romero.
De acordo com ele, grande parte dos clientes procura o órgão em defesa do consumidor com o objetivo de ressarcimento do dinheiro investido no serviço, pois a dívida passa a pesar ainda mais no orçamento, que foi comprometido pelos débitos que motivaram a procura pela assessoria financeira. A empresa líder das reclamações no Procon já é alvo de ações judiciais e em sites de reclamações de clientes há muitas queixas contra ela.
Quando uma dívida aperta o orçamento de uma família bate o desespero e, nessa hora, o devedor acaba tomando uma decisão no calor do momento e que será motivo de arrependimento. Há empresas sérias atuando nessa área de empréstimos e consultoria, mas a lista de queixas no Procon e outros órgãos de defesa do consumidor mostra que há gente má intencionada atuando na área ou incapaz de cumprir o que promete.
O coordenador do Procon ainda orientou que as pessoas com interesse em negociar dívidas procurem um advogado para intermediar o acordo com as empresas para abatimento de juros, multas e apresentação de propostas com objetivo de retirada do nome do SPC/Serasa. “Quem não tem condição de pagar pelo serviço pode participar do mutirão de renegociação de dívidas realizado pelo Procon de duas a três vezes por ano para quitação dos débitos com juros e multas menores”, comentou.
E antes de partir para a contratação de um empréstimo ou uma empresa que oferece solução financeira, a palavra de ordem é desconfiar de propostas boas demais, com pouca burocracia, muito fácil ou barato. Também pesquisar o CNPJ dessas instituições financeiras e ver se há reclamações em sites de defesa do consumidor. Redobre a atenção para não cair em uma cilada.
Infelizmente, o brasileiro é despreparado no quesito educação financeira. O ideal é que desde cedo as crianças tenham noções de planejamento econômico nas escolas, como um tema transversal a ser trabalhado em sala de aula. Assim, a partir da adolescência, o cidadão tem capacidade de desenvolver uma relação equilibrada e responsável com o dinheiro, tomando decisões acertadas sobre sua capacidade de consumo e poupança.
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