O pedágio, agora a falta dele, continua tirando o sono do setor produtivo paranaense. Fazendo as contas, a Faep (Federação da Agricultura do Paraná) chegou à conclusão que as constantes interdições na BR-277, a principal via de acesso ao Porto de Paranaguá, poderão acarretar um prejuízo de mais de R$ 600 milhões na cadeia produtiva da soja. Os cálculos são do DTE (Departamento Técnico e Econômico) do Sistema Faep/Senar-PR.

Nos últimos meses, quedas de barreiras, riscos de desmoronamentos e rachaduras na pista, ocasionados pelo excesso de chuvas, levaram à interdição total ou parcial da BR-277, a única rodovia que comporta o tráfego de cargas pesadas até o Porto de Paranaguá. Sem condições de rodagem, os exportadores são obrigados a optar por outras vias de escoamento da produção.

Os cálculos são detalhados em reportagem desta quinta-feira (16). O problema na rodovia, que afeta fortemente a logística de transporte, acontece justo quando há estimativa de recordes na produção da soja na safra 2022/2023. A projeção do Departamento de Economia Rural é de que o volume colhido nas lavouras paranaenses seja 74% maior do que ano passado, chegando a 21 milhões de toneladas do grão.

A soja é uma cultura de grande relevância econômica para o Paraná e muito visada no campo internacional, sendo um dos principais produtos no ranking das exportações. Segundo a entidade, algumas cooperativas e traders já vêm utilizando os portos de São Francisco do Sul (SC) e de Santos para envio de suas cargas.

A entidade destacou ainda que o Paraná é o maior exportador de frango do país e o terceiro em carne suína. Todas essas cadeias seriam impactadas diretamente pelos problemas na BR-277 e o prejuízo total seria calculado em bilhões de reais.

A federação que representa os agricultores critica os governos estadual e federal pela demora em encontrar uma solução definitiva para o problema da concessão das rodovias do Anel de Integração.

A nova modelagem do pedágio no Paraná tem sido motivo de impasse entre os governos estadual e federal e o Executivo nacional cancelou no último dia 2 um evento entre o Estado e o Ministério dos Transportes, quando seria entregue dois lotes de rodovias paranaenses.

O líder do governador Ratinho Junior na Assembleia Legislativa, Hussein Bakri, chegou a declarar na tribuna da Casa que o Governo do Estado só esperará até o final de março para uma definição federal sobre o novo modelo de pedágio.

Como medida emergencial, a Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná) defende que se priorize o envio de caminhões para Paranaguá em alguns períodos do dia. Em contrapartida, seguram-se outros carros, como automóveis e veículos que não são para transporte de cargas.

A melhoria em infraestrutura é uma reivindicação antiga dos paranaenses e uma das bandeiras do Grupo Folha de Londrina. O problema foi objeto de muitos editoriais e reportagens do jornal, além de tema do segundo Encontros Folha, realizado em 2014, com o mote "Infraestrutura e Logística: vencendo os gargalos do Norte do Paraná".

Da porteira para dentro, o Paraná assiste ao excepcional desempenho das lavouras. Mas as vias de escoamento da produção precisam acompanhar essa eficiência. A competitividade do setor produtivo do Paraná passa pelas estradas rodoviárias.

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