EDITORIAL: A ousadia do crime organizado
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quinta-feira, 23 de março de 2023
Folha de Londrina 
A capacidade de organização e, por que não dizer, de profissionalização de grupos criminosos não é novidade no Brasil. Assim, a notícia de que havia um rico plano de uma das mais conhecidas facções, o PCC (Primeiro Comando da Capital) para matar e sequestrar agentes públicos e autoridades não chega a surpreender. Mas a ousadia foi assombrosa.
Na manhã de quarta-feira (22), a PF (Polícia Federal) desencadeou a operação Sequaz, com o objetivo de desarticular um grupo que "pretendia realizar ataques contra servidores públicos e autoridades, incluindo homicídios e extorsão mediante sequestro, em pelo menos cinco unidades da federação", conforme a PF.
Entre os alvos, o ex-juiz e agora senador Sergio Moro, e o promotor Lincoln Gakiya, que atua há anos em São Paulo, em investigações sobre a atuação do PCC.
O ministro da Justiça, Flávio Dino, disse nesta quarta-feira (22) que a Polícia Federal encontrou evidências da montagem de bunkers no Paraná para sequestrar ou guardar armas para preparar o assassinato de Moro. Ele afirmou que as investigações começaram há cerca de 45 dias.
Dino disse que ainda precisam ser feitas mais investigações, mas ele adiantou que aparentemente tratava-se de uma ação nacional, uma retaliação em face ao trabalho de Moro, ex-juiz e ex-ministro da Justiça, de membros do Ministério Público e agentes policiais, além de uma ação de intimidação.
O Brasil convive com atos violentos de facções criminosas há pelo menos 40 anos, quando em 1979 o CV (Comando Vermelho) foi criado no presídio da Ilha Grande, no Rio de Janeiro. Além do CV e do PCC, há muitas facções agindo nos diferentes estados brasileiros - pesquisadores calculam mais de 50 grupos.
No Rio Grande do Norte, por exemplo, o Sindicato do Crime é a facção acusada de orquestrar a série de ataques em Natal nas últimas semanas. Esses grupos espalham terror e violência enquanto disputam dentro e fora dos presídios mais espaço principalmente no milionário negócio do tráfico de drogas.
O fato do Brasil desempenhar um papel estratégico na rota internacional do tráfico da América do Sul para a Europa e Ásia contribui para o fortalecimento desses grupos.
É importante que o país não deixe de debater o combate ao crime organizado após passado esse momento de tensão com a descoberta dos planos do PCC. Recursos e atenção precisam vir dos governantes para programas que impeçam essas facções de prepararem ataques cada vez mais ousados.


