Editorial
O horário de verão, que termina amanhã, proporcionou ponderável economia de energia em todas as regiões do País atingidas pela medida, fato que ganha ainda mais importância devido ao aumento no consumo nos últimos anos, ao tempo em que permanece inalterada a produção. A situação brasileira, porém, ainda é potencialmente grave, exatamente porque não têm sido realizadas obras para proporcionar o excedente necessário, o que provoca temores sobre a situação futura, caso não haja medidas sérias a respeito.
Quando eclodiu a crise do petróleo, no começo dos anos 70, o Brasil se viu forçado a adotar uma série de medidas de urgência para enfrentar o problema da energia. Na época, o País importava quase todo o petróleo que usava e precisou mudar até mesmo certas prioridades para enfrentar melhor a situação. Foi quando surgiu e se desenvolveu o programa do álcool, período no qual também se deu grande impulso à construção de hidrelétricas para aproveitar o potencial nacional de produção de energia elétrica. Muitas obras surgiram então, entre as quais Itaipu.
Todavia, nos últimos anos, como reflexo das dificuldades nacionais, também o programa de construção de usinas hidrelétricas sofreu cortes e hoje o Brasil enfrenta até a ameaça de sofrer blecautes, principalmente nas épocas de maior demanda e nos centros mais desenvolvidos, caso persista o crescimento da demanda, como vem ocorrendo. Para enfrentar esta situação, naturalmente, o caminho é voltar a haver forte investimento na construção de mais usinas e ampliação da capacidade das já existentes. Isto, porém, ainda que houvesse recursos - o que não acontece - leva tempo. Mesmo se fosse agilizado o processo de privatização, entregando os novos projetos de usinas à iniciativa privada, ainda assim demoraria para que houvesse acréscimo na produção.
O que é necessário (e possível) fazer de imediato é um trabalho de conscientização da população para racionalizar o consumo de energia e evitar desperdícios. O horário de verão, com o melhor aproveitamento da luz solar, não é educativo, ao menos do modo como vem sendo realizado no País. O que se necessita agora é um esforço mais direto, amplo e total no sentido de levar o usuário a diminuir o consumo. Na já citada época pós-choque do petróleo, foi feita campanha similar buscando reduzir o consumo dos seus derivados, notadamente a gasolina. O resultado naquele período foi dos mais animadores, de tal modo que o consumo de petróleo no País caiu substancialmente. O programa do álcool, que veio depois, ajudou ainda mais.
O mesmo pode e deve ser feito agora em relação à energia elétrica. Em realidade, estudos já prontos indicam que no Brasil o desperdício, não só de eletricidade, continua a ser grande. Falta ao público conhecimento mais amplo de um elenco de medidas que podem resultar em redução de consumo, o que implica em economia direta para o usuário e oferece ao País um desafogo em relação às necessidades energéticas.
A atual situação da economia deveria produzir no público em geral uma visão melhor sobre racionalização no consumo e luta contra o desperdício. Como este processo está se realizando muito lentamente, é possível que medidas concretas oriundas do governo para conscientizar e orientar poderiam ter efeitos melhores e mais rápidos.





