A tragédia registrada na Boate Kiss, localizada em Santa Maria (RS), traumatizou o País. Há pouco mais de dois anos, um incêndio atingiu o local, matou 242 pessoas – a maioria jovens –, deixou centenas de feridos e sequelas que ficarão para sempre na memória da sociedade. Depois desse episódio, o Brasil discutiu exaustivamente normas de segurança para prédios que concentram grande número de pessoas. O Paraná foi um dos Estados que mais rapidamente adequou sua legislação.

No entanto, mesmo com a adoção de leis mais rígidas os incêndios continuam acontecendo frequentemente e a fazer vítimas. Em média, o Corpo de Bombeiros do Paraná atende 12 ocorrências por dia. Estatísticas ainda mostram que nos últimos cinco anos 145 pessoas morreram vítimas de incêndios em edificações – quase metade desse total são crianças e idosos. Esses números são ainda mais alarmantes porque não são consideradas mortes posteriores, em leitos de hospitais, o que aponta para um número ainda maior de vítimas.

Se o número de ocorrências é alto, há fatores que devem ser analisados. Ainda que a maioria dos acidentes ocorra por falha humana, há que se comentar – no caso de prédios projetados para abrigar um grande número de pessoas – que falta conscientização e fiscalização. Infelizmente no País não há a cultura da prevenção. Espera-se acontecer uma grande tragédia, como o caso da Boate Kiss, para que o assunto seja discutido mais seriamente.

Quando vidas humanas correm riscos, há que se adotar leis mais severas, além de uma fiscalização intensa. O trabalho é exaustivo, mas não se pode arrefecer. Tragédias como a da Boate Kiss não podem continuar a ocorrer. A prevenção de acidentes deve ser discutida pela sociedade, deve entrar na pauta dos debates.

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