O feriado prolongado de Carnaval tem sido precedido de numerosos alertas sobre a necessidade de medidas preventivas buscando evitar que a alegria se converta em dor, tragédia ou luto. Há preocupações tanto na esfera de saúde, incluindo-se aí as mais explícitas informações sobre a necessidade de prevenção em relação ao contágio da AIDS, devido a relações sexuais indiscriminadas, quanto na de segurança geral. E aqui as orientações abrangem desde os perigos na estrada (uma vez que muita gente aproveita os dias de folga para viajar), até os riscos nas ruas por causa do abuso do álcool, que, como tem sido muito explicado, não combina com a direção de nenhum veículo.
Só nos últimos anos é que, naturalmente em função da verdadeira epidemia em que se converteu a AIDS, se tem colocado bem explicitamente os modos para prevenir o contágio, inclusive com destaque para as relações sexuais. Isto é também consequente de uma mudança nos costumes, que não deve ser contestada por eventuais pruridos de um moralismo oco e que apenas mascarava os problemas no passado. É possível dizer, por exemplo, que a AIDS é hoje o que a sífilis foi no passado, uma doença terrível, sem cura, transmitida também sexualmente e que produziu muita dor e morte entre os seres humanos. Para piorar, no passado, não se falava de problemas sexuais, o que não evitava nem as doenças nem suas sequelas.
Atualmente, os meios de comunicação estão sendo usados para orientar e prevenir, com uma visão realista. E na verdade, campanhas como as que se realizam visando evitar ou pelo menos diminuir o perigo da AIDS servem não só para o Carnaval, época que alguns consideram de maior risco, devido ao próprio clima de mais liberdade propiciada pela folia, mas também constituem ensinamento genérico quanto à síndrome. Não há dúvidas, aliás, que tem sido graças a esta nova forma de enfrentar os antigos tabus que males como a AIDS estão melhor controlados.
Do mesmo modo, também não é só no Carnaval que existe o risco de acidentes decorrentes de maior movimento nas estradas ou de uma liberalidade alcoólica maior. Todos os chamados feriados prolongados trazem junto com os apelos pelo lazer e pelo repouso o perigo de acidentes sérios. E a divulgação, pós-feriados, das ocorrências nas estradas e artérias urbanas, constitui sempre lamentável balanço, com centenas de mortos e feridos, a maior parte em acidentes que poderiam ter sido evitados com simples medidas de precaução por parte de quem dirige.
Fazer dos feriados só uma ocasião de alegria é um trabalho complicado. As estatísticas brasileiras, inclusive algumas recentemente divulgadas, mostram que milhares de pessoas morrem anualmente no país em consequência de acidentes nas estradas ou nas cidades. De modo geral, são pessoas jovens, com enorme potencial, que perdem a vida em circunstâncias ainda mais dramáticas porque, em boa parte dos casos, com medidas preventivas das mais simples, tais acidentes poderiam ser evitados. Despertar a população para a necessidade de cuidados mínimos é, hoje, uma das tarefas mais importantes dos que se preocupam, efetivamente, com o bem-estar atual e com o futuro mesmo do Brasil.
O Carnaval, como todas as grandes festas populares, não precisa trazer a reboque dor e morte. Com cuidado em todos os sentidos, com respeito ao próximo, com um mínimo de prevenção, será possível destacar nos feriados que começam agora só a parte bonita e alegre. Depende do cuidado de cada um para que isto aconteça.

mockup