Editorial
O Informe Conjuntural de janeiro, do Departamento Econômico da Confederação Nacional da Indústria (CNI), indica que os desequilíbrios existentes na economia brasileira tendem a se acirrar. Conforme o documento, o desempenho da balança comercial não dá sinais de que possa melhorar rapidamente porque permanecem as indicações de que as importações vão aumentar, não ocorrendo o mesmo face às exportações. Segundo o Informe, esses desequilíbrios exigem correção. Entretanto, a publicação adverte que é preciso tomar cuidado para que não se apliquem soluções erradas como, por exemplo, frear a economia, exatamente um dos remédios de curto prazo em debate. Restrições ao consumo e, consequentemente, ao crescimento econômico têm sido defendidas por alguns especialistas como armas para fazer cair as importações e aumentar as exportações.
A CNI, porém, é contrária a esse tipo de solução por entender que o ritmo da expansão atualmente é muito menos intenso do que no início de 95, quando o governo provocou violenta freada na atividade econômica. Ademais, a publicação lembra que agora o Brasil não enfrenta problemas de financiamento externo, ainda mais porque o País tem conseguido atrair capitais estrangeiros estáveis, que reduzem as preocupações quanto ao financiamento do déficit em conta corrente, para o qual o resultado da balança comercial tem colaboração decisiva.
Há a considerar ainda que medidas tendentes a desaquecer o mercado interno incluiriam a necessidade de elevação nas taxas de juros. Isto, como recorda a CNI, tanto afetaria a saúde financeira de pessoas e empresas, como do próprio governo, pois a União, Estados e Municípios sofreriam forte impacto, já que têm endividamento muito alto. Isso, portanto, ampliaria o déficit público, produzindo talvez mais problemas do que soluções.
Para os técnicos da CNI, qualquer freio agora traria, adicionalmente, dificuldades para a política fiscal e para a melhoria das condições de competitividade da economia e ainda postergaria as correções de mais longo prazo que o País requer. O Informe reconhece que a produção e a demanda estão em nível elevado, sem dar sinais de desaquecimento. Entretanto, as vendas maiores em janeiro, conforme os técnicos, podem estar ligadas à mudança de padrões de consumo pela população, que já confia na estabilidade dos preços, e também às vendas promocionais de setores que no final do ano comercializaram menos do que esperavam. Isto significa que o próprio mercado deverá enfrentar, já neste segundo mês do ano, certo desaquecimento, sem a necessidade de medidas mais fortes por parte do governo.
Há, adicionalmente, outro fator muito sério a ser ponderado nesta questão do comércio. O Banco Mundial indicou que o real brasileiro está muito valorizado em relação ao dólar. Exportadores já têm insistido em que esta situação é responsável pelas maiores dificuldades no que tange às vendas externas, uma vez que os produtos brasileiros estão perdendo a competitividade.
É fora de dúvida, porém, que a solução para isto também não é tão simples. Até mesmo uma minidesvalorização da moeda hoje produziria efeitos danosos sobre outros setores, inclusive a própria estabilidade. É fácil perceber como são complexos os fatores que compõem o quadro econômico, reclamando das autoridades profunda avaliação e enorme cuidado na adoção de medidas para evitar, como diz o citado Informe, decisões erradas capazes de produzir efeitos mais danosos ainda.





