Editorial
Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada revela que a violência está matando mais brasileiros em idade ativa do que os índices apresentados por países em guerra. Homicídios e acidentes de trânsito estão atingindo tal nível na vida brasileira que já constituem, conforme a conclusão do IPEA, uma questão a ser tratada com maior atenção do que a que vem sendo dada ultimamente.
Os números sobre as mortes no trânsito, no país, nas últimas décadas, têm sido cada vez mais elevados. A complementação do trabalho, com a revelação sobre o cada vez mais elevado índice de assassinatos e homicídios, atingindo um número maior de homens em idade ativa, apenas serve para dar à questão toda a importância. Não há nenhum capital mais importante para qualquer nação do que o seu potencial humano. Isto significa que a falta de medidas concretas para alterar esta situação constitui uma terrível falha cujas consequências já começam a ser sentidas.
Isto, naturalmente, implica em que se faz mais que necessária a adoção de medidas concretas visando conter esta verdadeira avalanche de mortes absurdas e, em qualquer caso, plenamente evitáveis. É certo que há duas vertentes a merecer igual atenção: as mortes no trânsito representam um fato diferente da violência crescente que se observa na vida urbana nacional. De qualquer modo, porém, exige-se a adoção de medidas urgentes, capazes de reverter estas estatísticas, como um fator de sobrevivência nacional.
Considerar tanto as mortes no trânsito quanto os crimes em geral como acidentes ou consequentes de uma situação social é um modo equivocado ou fatalista de julgar a situação. Tanto uma como outra destas questões podem ser revertidas caso haja políticas efetivas voltadas para garantir mais segurança aos cidadãos, seja ao volante, ou apenas na vida comum.
O que tem faltado, efetivamente, é uma vontade política dirigida a oferecer melhores condições de segurança aos cidadãos. Falta educação para o trânsito, assim como faltam medidas objetivas para a prevenção e repressão ao crime. Hoje, matar alguém - conforme se pode observar diante de tantos crimes registrados a cada dia - não apenas parece mais fácil como as consequências, inclusive judiciais, são pouco assustadoras. Criminosos passionais ou mesmo latrocidas quase sempre escapam com penas suaves, contrariando até, em muitos casos, aquela antiga frase segundo a qual o crime não compensa.
Quanto ao trânsito, a situação ainda é mais caótica. Não existe a preocupação efetiva de educar quem dirige e nem garantir segurança para quem anda pelas ruas, sem falar nas medidas relativas ao próprio controle do trânsito, além da péssima condição das estradas em quase todo o país. Dirigir, em muitas rodovias brasileiras, chega a ser mais arriscado do que correr em provas de automobilismo, dada a precariedade das estradas, a falta de sinalização e, até, os erros de engenharia que constituem verdadeiras armadilhas para quem trafega por elas.
A situação é clara: o Brasil está perdendo vidas importantes por causa da violência que, em boa parte dos casos, decorre da falta de atitudes mais concretas por parte de suas autoridades. E essas atitudes devem ser tomadas com urgência.





